A história do peixe de água doce que cruzou o oceano é bastante estranha

51

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, inscreva-se agora.

Há um pequeno peixe guaru – Poecilia vivipara – no arquipélago de Fernando de Noronha, na costa do Brasil.

O que é menos claro é como eles foram parar tão longe do continente, a uma distância de 345 quilômetros.

Estes pequenos peixes de água doce parecem mal equipados para uma viagem tão árdua através do oceano até estas ilhas rochosas isoladas, formadas pela atividade vulcânica – mas agora os cientistas pensam que podem ter resolvido o mistério.

Novas análises de DNA da Universidade Federal do Rio Grande do Norte descobriram que os peixes estão intimamente relacionados com as populações mais próximas do continente, e pesquisadores sugeriram um cenário em que os guarus poderiam ter sido transportados para Fernando de Noronha com auxílio humano.

O que é mais provável é que eles tenham sido levados para a ilha para controlar a população local de mosquitos, transportada por soldados dos EUA estacionados em Fernando de Noronha há 60 anos.

Registros mostram que os militares também usaram DDT químico para controlar o número de mosquitos e a malária. Considerando que os guarus são conhecidos por comerem larvas e ovos de mosquito, é possível que os peixes também tenham sido implantados.

O pareamento genético aproximado entre os peixes da ilha e os guarus no continente sugere que eles chegaram recentemente, reforçando a hipótese da intervenção humana.

No entanto, enquanto os pesquisadores dizem que este é o cenário mais provável, eles não estão descartando completamente a dispersão natural, apontando para exemplos anteriores em que peixes de água doce cruzaram o oceano.

Embora as chances de sobrevivência sejam pequenas, os peixes e seus ovos podem ser transportados por pássaros, jangadas, tempestades e mudanças nas correntes oceânicas, dizem os pesquisadores. Mudanças no nível do mar e na salinidade marinha também poderia ter dado aos guarus uma janela de oportunidade.

Talvez nunca saibamos com certeza, mas há muito tempo os cientistas têm ficado fascinados com o modo como os organismos se dirigem para esses remotos e rochosos afloramentos de terra; esta pesquisa pode alimentar isso.

“Independentemente de seus meios de transporte, essa população representa uma lição valiosa sobre como pequenas populações conseguem colonizar e prosperar em ambientes isolados”, dizem os pesquisadores. “Apesar de ser visitado por milhares de pessoas todos os anos, alguns dos segredos mais intrigantes das ilhas tropicais ainda podem estar escondidos no DNA de seus habitantes”.

A pesquisa foi publicada no ZooKeys.

Traduzido e adaptado de Science Alert.

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, inscreva-se agora.

Comentários
Carregando...