A Rota da Seda pode ser muito mais antiga do que imaginamos

Originalmente por Peter Dockrill | ScienceAlert
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio.

Muitos historiadores dizem que a Rota da Seda representa as estradas que interligavam cidades e permitiam o comércio entre a Ásia e a Europa em meados de 200 a.C até o Século XIV. Entretanto, a rota pode ser ainda mais antiga.

“O erro que muitas vezes é cometido quando falamos da Rota da Seda é assumir que se trata de algo criado em determinado ponto por estados poderosos”, disse o antropólogo Michael Frachetti, da Universidade de Washington, em entrevista ao International Business Times. “Na verdade, trata-se de um processo dinâmico e flexível que emergiu gradualmente”.

De acordo com Frachetti, as análises históricas da Rota da Seda normalmente focam nos corredores principais, interligando os maiores pontos de comércio, sempre calculando as rotas com menor custo. Essa abordagem, de acordo com o especialista, funciona para áreas baixas, onde as rotas diretas eram possíveis, mas não refletem a forma como os fazendeiros e comerciantes se moviam pelas regiões montanhosas.

Climatologia Geográfica
Michael Frachetti

O que sugere a hipótese de Frachetti é que esses nômades tenham sido os responsáveis pela criação do que mais tarde veio a ser a Rota da Seda. Estima-se que há 5 mil anos as pessoas já passavam seus rebanhos pela região.

“As localizações de cidades antigas, santuários e pontos de parada de caravanas há muito ilustram os pontos-chave de interação ao longo desta vasta rede. Definir suas rotas, entretanto, é algo muito mais difícil”, explicou Frachetti em um comunicado à imprensa. “Por isso, poucos detalhes são conhecidos sobre os caminhos utilizados por comerciantes, monges e peregrinos nas montanhas da Ásia”.

O estudo

Para entender quais caminhos eram tomados pelos agricultores e comerciantes, a equipe de Frachetti desenvolveu um modelo de computador. Esse modelo tem como função simular a mobilidade de rebanhos em altitudes entre 750 e 4000 metros – incorporando períodos em que era viável transportar grandes rebanhos através das montanhas asiáticas.

“Agregando 500 iterações do modelo, temos uma rede de fluxo de alta resolução, simulando como séculos de pastoreio nômade sazonal podem ter formado rotas discretas ao longo das montanhas da Ásia”, explicam os pesquisadores no artigo. O modelo foi gerado sem levar em consideração os dados que traçam os assentamentos da Rota da Seda, mas quando a equipe comparou o fluxo de rebanhos sugerido pelo modelo com a geografia da Rota da Seda, 74,4% dos caminhos bateram.

Os pesquisadores não estão afirmando que seu modelo é a prova de que a Estrada da Seda, como a conhecemos, existia milhares de anos antes do que o indicado pelos pesquisadores. Entretanto, dizem que é provável que a estrada tenha sido baseada nos caminhos descobertos pelos nômades que viajaram milênios de anos antes.

“O que o nosso estudo mostra é que os fortes centros urbanos de poder não são sempre necessários para criar redes flexíveis e importantes economicamente. Elas podem ser criadas por pequenas comunidades não urbanas”, disse Frachetti à Léa Surugue, do International Business Times.

As descobertas estão relatadas na Nature.

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