A verdade ainda é o melhor remédio

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Em uma cena de “Diário de Motocicleta” (2004), filme que conta uma parte da biográfica de Ernesto Che Guevara, o até então médico Ernesto Guevara de la Serna é questionado por um pretendente a escritor o que o residente achava da obra escrita por ele. Ernesto então é sincero e diz que o romance do sujeito é um clichê e que o suposto escritor deveria dedicar o tempo em outra profissão. O homem, que também era médico, agradece pela sinceridade de Ernesto. Mas e se você estivesse nessa situação, mentira pouco, mentiria muito ou diria a verdade? Para o neurocientista Sam Harris, autor do livro Lying, você deveria dizer sempre a verdade.

O volume foi lançado em 2013, pela Four Elephants Press, e alerta que mentir pode ser catastrófico. A verdade é que nem sempre podemos medir com precisão as consequências de uma mentira, por menor que ela possa parecer. Na publicação, Harris diz que mentir é impedir ou tentar impedir o interlocutor de conhecer a verdade e, esse desconhecimento, pode devastar a vida de alguém. Ou mesmo, fazer com que essas pessoas tomam decisões e atitudes errada diante de situações que poderiam ser facilmente resolvidas se tivessem sido comunicadas da verdade.

O neurocientista aponta ainda que o ato ou costume de mentir é característico de relações superficiais, de baixa confiança ou engajamento das partes. O que parece ser característico do personagem do Jim Carrey, no filme “O Mentiroso” (1997), onde ele interpreta um advogado, que devido a um desejo do filho, não consegue mentir diante do juiz. No filme, pai e filho possuem uma relação distanciada, em que o personagem de Jim nunca consegue cumprir os compromissos para com o garoto.

Na publicação “A Mais Pura Verdade Sobre a Desonestidade” (2012), o autor e economista Dan Ariely diz que 10% da população pintam a realidade com outras cores para se sentirem melhor ou fazer com que as pessoas mais próximas se sintam mais satisfeitas. Ou seja, ao contrário de Morpheus em “Matrix” (1999), induziríamos Neo então ao tomar a pílula azul. O economista entende que uma pequena mentira é capaz de nos fazer sentir melhor com nós mesmo, além de permitir com que continuemos a nos olhar no espelho sem sentir repulsa de nossa própria imagem. Essa percepção mudaria se a mentira fosse de grandes proporções, ou seja, trouxesse resultados ou consequências muito negativas. Sorte a nossa de a fábula do Pinóquio ser apenas uma fábula. [Scientific American]

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