Este aglomerado de estrelas sugere que estamos errados sobre como estrelas se formam

Por Bec Crew | Science Alert

Traduzido e adaptado por Matheus Gonçalves

Astrônomos encontraram algo completamente inesperado na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia vizinha. Ao calcular as idades das estrelas nesta galáxia, eles encontraram um grupo de 15 estrelas muito mais jovens do que as outras dentro do mesmo aglomerado. Esta descoberta está inteiramente em desacordo a um modelo bem estabelecido sobre como se pensa que estrelas se formam.

“Nossos modelos de evolução estelar são baseados no pressuposto de que as estrelas dentro de aglomerados são formadas a partir do mesmo material e praticamente no mesmo tempo”, diz Bi-Qing For, pesquisador do Centro Internacional de Pesquisa de Radioastronomia na Austrália. “Se este pressuposto se revelar incorreto, como sugere a descoberta, então modelos importantes precisarão ser revisados.”

Os aglomerados estelares são grupos de estrelas unidas pela gravidade, e os modelos tradicionais assumiram que todas elas são originadas a partir da mesma nuvem de gás molecular. Isso significa que essas nuvens deveriam originar milhares de estrelas com mesma idade e composição química.

Por conta da aparente falta de variáveis dentro desses conjuntos de estrelas, os cientistas as estudam há mais de um século para entender como a massa afeta a formação e evolução estelar. Mas o problema agora é que essas premissas talvez sejam falsas.

Ao comparar as localizações de milhares de estrelas com as localizações dos aglomerados de estrelas, For e sua equipe encontraram o que parece ser 15 candidatas a estrelas muito mais jovens do que as outras do mesmo aglomerado – e sete delas estão localizadas bem no centro. Neste caso, elas são chamadas de “candidatas a estrelas” porque se parecem muito com estrelas, mas a distância e outros objetos no caminho obscurecem a visão deles a partir da Terra, então a equipe ainda não tem total certeza sobre sua identidade.

Mas se sua observação for confirmada, significa que os cientistas terão que buscar uma explicação nova para como estas 15 estrelas nasceram.

Os pesquisadores pensam que estas estrelas surgiram a partir das estrelas mais velhas. Se esta suposição estiver correta, significa que os aglomerados estelares podem ser lar de várias gerações de estrelas.

“Acreditamos que as estrelas mais jovens foram criadas a partir de matéria ejetada pelas mais velhas à medida que morrem, o que significaria que descobrimos várias gerações de estrelas pertencentes ao mesmo aglomerado”, explica For.

Agora, cabe ao Telescópio Espacial Hubble fornecer mais provas.

“Se apontarmos o Hubble para os aglomerados que estudamos, devemos ser capazes de ver estrelas jovens e velhas e confirmar de uma vez por todas que aglomerados estelares podem conter várias gerações de estrelas”, afirma Kenji Bekkii, integrante da equipe responsável pelo estudo.

 

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