Água mineral e coca-cola realmente causam pedra nos rins? Veja esse e outros mitos sobre o assunto

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Alguns remédios foram citados, mas a consulta médica é imprescindível independentemente do que estiver escrito aqui. Aliás, as informações colocadas são traduções e adaptações de sites especializados no assunto com alguma credibilidade científica. Não fui eu que escrevi originalmente, até porque não tenho especialidade nem autoridade científica para o fazer.

Todo mundo já escutou alguma acusação a respeito da pedra nos rins. Porém, enquanto muitas delas possam ser consideradas, comumente, mitos – por não possuírem nenhuma evidência -, outras são controversas e, provavelmente, estejam incorretas, baseando-se na opinião de especialistas.

Mito 1: Fiquei com pedras nos rins por causa da minha dieta de cálcio.

Apesar do fato de que o cálcio é componente de 75% das pedras, seu excesso, raramente, está ligado à formação de pedras. Na verdade, vários estudos mostraram que a restrição do cálcio aumenta o número de pedras desenvolvidas. 

Mito 2: Posso ingerir coisas que dissolvam minhas pedras*.

Esse mito tem um asterisco porque é, realmente, verdade em casos seletos.

Para a maioria dos constituintes das pedras, incluindo aquelas com oxalato e fosfato de cálcio (80% delas), não há nenhuma medicação disponível que possa dissolver, de forma bem sucedida, as pedras.

Em pacientes com pedras de ácido úrico (5-7%) ou cistina (1-3%), medicações podem ser, potencialmente, usadas para ajudar a dissolver. No entanto, mesmo nesses casos, a cirurgia continua sendo a melhor solução.

Mito 3: Suco de oxicocos me ajuda a prevenir pedras.

Enquanto o suco de oxicocos ajuda na prevenção de infecções recorrentes no trato urinário, ele não parece ter um efeito benéfico geral para a formação de pedras. Ao invés disso, a ingestão dele resulta em um efeito mixo de fatores urinários que, provavelmente, tenha o potencial de aumentar o risco de ter pedras na maioria dos pacientes (Gettman et al, J Urol, 2005).

Mito 4: Ingerir azeite de oliva e suco de limão ajudar-me-á a lubrificar minhas pedras, facilitando sua passagem.

Além de soar uma refeição não tão agradável, não há nenhum estudo que mostre que essa combinação facilitará a passagem das pedras. Há, no entanto, algumas medicações que obtiveram resultados, como tansulosina (Flomax), alfuzosina, nifedipina, doxazosina e terazosina. 

Mito 5: Não são tantas pessoas que adquirem pedras nos rins.

As pedras são, realmente, mais comuns do que as pessoas pensam. 1 em cada 10 americanos irá experimentar delas ao longo da vida.

Mito 6: A água é o único líquido útil para prevenir pedras nos rins.

Pesquisas mostram que é o volume de líquido que é ingerido que importa, não o seu tipo. Previamente, pensava-se que alguns líquidos aumentavam o risco de pedras nos rins (chá, café, cerveja), mas, na verdade, eles parecem diminuir. Beber refrigerante de cola também não aumenta (como será falado abaixo).

Sendo assim, você não precisa, necessariamente, ingerir 3-4 litros de água por dia. Você pode seguir essa quantidade com qualquer fluido

Mito 7: Pedras nos rins estão relacionadas com pedras nas vesículas.

Emboras ambas sejam consideradas pedras e tenham a palavra “bexiga” associada a elas, não há evidência alguma de que pedras nas vesículas e nos rins estejam correlacionadas.

Mito 8: Eu, provavelmente, não terei pedras nos rins porque ninguém na minha família teve.

Enquanto alguém com um histórico de pedra nos rins na família seja 2,5 vezes mais suscetível de desenvolver um problema, a maioria dos que o apresentam, atualmente, não tinham histórico familiar.


Controvérsia 1: Meu refrigerante está me causando pedras nos rins.

A crença de que os refrigerantes estão associados com o aumento da formação de pedras nos rins é apoiado por um estudo realizado por Shushter e seus colegas tendo, como base, 1 009 homens escolhidos aleatoriamente, que se abstiveram e da bebida ou continuaram bebendo por 3 anos. No estudo, aqueles que deixaram os refrigerantes foram 6,4% menos passíveis de ter pedras nos rins do que os outros. Adicionalmente, foi observado que aqueles que se abstiveram das bebidas com ácido fosfórico (em oposição às que usam ácido cítrico) tiveram 15% a menos de chances de formar pedras (Shuster et al, J Clin Epidemiol, 1992). O ácido fosfórico é, comumente, usado em refrigerantes de cola (Coca-cola), enquanto o ácido cítrico nos com sabores de fruta (Sprite). Baseado nesse estudo, evitar bebidas de cola foi recomendado por alguns médicos como uma maneira de evitar os tais problemas renais.

Pesquisas mais recentes, no entanto, questionaram esses achados. Em um estudo com 45 289 homens, com ingestão de 21 tipos diferentes de bebidas, o desenvolvimento de pedras foi determinado ao longo de seis anos. Os autores encontraram que o consumo de cola não aumenta o risco de ter o problema. Na verdade, o fato de indivíduos que a consumem possuírem uma maior chance tenha, talvez, na dieta que os indivíduos que ingerem a bebida de cola, geralmente, possuem. Eles concluíram que, se a dieta de uma pessoa for mantida saudável, a adição de cola não iria surtir efeito (Curhan et al, Am Journal Epid, 1996).

Em geral, o risco de formação de pedras de bebidas de cola parecem estar mixados, isso é verdade. Pessoas com pedras nos rins que querem tornar-se seguras queiram, talvez, evitar tais bebidas em detrimento de outras. Elas também podem escolher colas que não usem ácido fosfórico, como Pepsi Cola e Red Bull Cola.

[OBS: O fato dos refrigerantes não terem, possivelmente, nenhuma implicância em pedras nos rins não significa que eles não façam mal em outro aspecto].

Controvérsia 2: Água “dura” causa pedras nos rins.

Parece intuitivo dizer que beber água “dura”, que contem vários metais dissolvidos (como cálcio e magnésio), aumenta o risco de pedras nos rins. No entanto, a maioria dos estudos no assunto mostram que ou o tipo de água não faz diferença ou a água mole, não a água dura, está mais associada com o aumento de pedras (Schwartz et al, Urology, 2002).

Baseado nas pesquisas disponíveis, a qualidade e a fonte da sua água, provavelmente, tem pouco ou nenhum impacto no risco de pedras nos rins.

Quanto à água mineral, não há nenhuma relação maléfica com as pedras nos rins. Na verdade, a relação que existe pode até ser, na maioria das vezes, considerada boa, segundo um estudo:

“Concluiu-se que a água mineral contendo cálcio e magnésio […] pode ser considerada tanto como um possível terapêutico quanto como um agente profilático nos cristais renais de oxalato de cálcio.”


Traduzido e adaptado de:

Kidney stone myths

Com algumas informações com referência de:

http://www.wndu.com/news/specialreports/headlines/Maureens-Medical-Moment-208861831.html

https://www.kidney.org/news/newsroom/factsheets/FastFacts

HOW TO DRINK ENOUGH WATER

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9096270

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