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Alfabetização tardia também melhora desempenho do cérebro de adultos

Entender como se porta o cérebro de pessoas que nunca tiveram acesso à leitura e, depois como eles funcionam quando elas começam a se relacionar com esse hábito era o objetivo da pesquisa How Learning to Read Changes the Cortical Networks for Vision and Language (em português livre, Como o aprender a ler mudar as conexões cerebrais da visão e da linguagem), coordenada pela pesquisadora Lúcia Willadino Braga. O estudo envolveu a participação de seis instituições do Brasil, França, Bélgica e Portugal.

Os hábitos de leitura e escrita são recentes dentro da história da humanidade, apareceram a cinco mil anos atrás. Porém, é indiscutível como esses dois elementos culturais são importantes para o desenvolvimento do cérebro de crianças, ativando novas conexões neurais. O processo de aprendizagem das letras faz com que o cérebro fique mais dinâmico, colocando em atividades várias regiões dele ao mesmo tempo, permitindo uma sincronia harmoniosa entre as atividades da fala e da emissão e recepção de sons. A visão também estimulada pela leitura, que é capaz de desenvolver uma região conhecida como área da forma visual da palavra. Essa região fica mais operante quanto mais as pessoas aprendem a reconhecer palavras e relacioná-las a objetos.

A pesquisa quis entender então, como acontecem esses processos em pessoas/adultos que não passaram pelo processo de alfabetização. Para isso, fizeram uma amostragem com 63 pessoas, nas quais 32 eram adultos não escolarizados. Desses 32, 10 eram analfabetos e os outros 22, foram alfabetizados depois de adultos. Eles tinham níveis de leitura que variavam. Os demais 31 participantes da pesquisa foram alfabetizados desde criança e tinham diploma de curso superior.

Eles passaram por dois testes. No primeiro, era preciso responder a perguntas sobre o que fazer com objetos, apertando dois botões diferentes, dependendo da resposta. As perguntas eram feitas de foram oral, ou seja, os participantes ouviam as instruções. No segundo teste, essas instruções foram passadas de forma escrita. Foram captadas imagens do cérebro deles antes e durante a realização dos testes.
Os resultados mostraram que quando as tarefas eram passadas de forma oral, a atividade despertava regiões mais comuns e conhecidas do cérebro. Quando eram repassadas de forma escrita, as regiões eram ativadas, mas de forma muito mais intensa. Nos teste entre leitura de palavras e visualização de imagens e fotografias em movimento, notou-se que apenas o córtex cerebral esquerdo se sensibilizava. Os participantes alfabetizados apresentavam maior atividade em determinadas áreas do cérebro e, a leitura despertava maior ação nessas regiões do que as palavras faladas ou mesmo a visualização de fotografias. Em relação ao som, a atividade foi menor do que a atividade falada, porém, não tão abaixo quanto ao apresentado pelas respostas dadas na atividade escrita.

A pesquisa mostrou que a alfabetização seja na infância ou quando adulto melhorar três aspectos no cérebro. Ela melhora a capacidade de organização do cérebro em relação ao que lhe é fornecido em seu campo visual, permite que um lado, que corresponde a um processo, seja sensibilizado por um padrão que aparentemente não está relacionado a ele e, por fim, a alfabetização é capaz de lapidar a região do cérebro responsável pela língua falada. [Canal Ciência]

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