Antigos vizinhos de Chernobyl foram diagnosticados com tipo raro de câncer anos mais tarde, em Nova York

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Originalmente publicado por Sara Miller, em LiveScience

 

Quando 10 pessoas em Nova York desenvolveram uma forma muito rara de câncer no olho em um intervalo de apenas quatro anos, os médicos ficaram perplexos. O câncer, chamado linfoma vitreorretiniano, tinha sido diagnosticado nos EUA apenas algumas vezes nos últimos 20 anos.

Os médicos tentaram descobrir o que poderia ter causado este câncer raro nestes 10 pacientes, todos diagnosticados entre 2010 e 2013, e descobriram que seis dos pacientes tinham uma conexão interessante: todos eles tinham vivido perto da antiga usina nuclear de Chernobyl.

O desastre de Chernobyl é considerado o pior acidente de usina nuclear da história: em 26 de abril de 1986, ocorreu uma explosão na usina na Ucrânia, vazando grandes quantidades de radiação causadora de câncer na atmosfera.

O linfoma vitreorretiniano é um tipo de câncer de olho que afeta os glóbulos brancos da retina, o nervo óptico ou o humor vítreo (a substância semelhante ao gel encontrada dentro do olho), disse Roxana Moslehi, epidemiologista genética da Universidade de Albany e Universidade de Nova York, e autora do estudo sobre os casos de Nova York. Os médicos que diagnosticaram os cânceres consultaram Moslehi quando perceberam que estavam vendo algo estranho acontecendo com as taxas de câncer, disse ela.

Moslehi procurou determinar se os casos de câncer vitreorretiniano representavam um “aglomerado” – ou seja, um grupo de casos que estão próximos entre si no tempo e no local, e que ocorrem em taxas mais altas do que o esperado. Ela apresentou suas descobertas no último dia dois de abril na reunião anual da American Association for Cancer Research. Os resultados ainda não foram publicados em um journal revisado por pares.
Com base em dados do New York State Cancer Registry, Moslehi descobriu que, estatisticamente, deve ter havido apenas um caso de linfoma vitreorretiniano no estado de Nova York nos últimos quatro anos. Assim, encontrar 10 casos de uma só vez em Nova York foi certamente “inesperado”, e representou um aglomerado, disse ela. Moslehi também olhou para as taxas nacionais da doença, e constatou que tais taxas são incrivelmente baixas.
Para descobrir o que poderia estar causando esse aglomerado, os pesquisadores buscaram semelhanças entre os pacientes, disse Moslehi. Eles observaram que oito dos dez eram descendentes judeus asquenazes, afirmou.
Mas ainda mais interessante para os pesquisadores foi que seis dos dez pacientes tinham vivido perto de Chernobyl no momento do desastre, disse Moslehi. Quatro dos pacientes tinham vivido na Ucrânia, um paciente tinha vivido na Polônia e o outro na Moldávia, de acordo com o relatório do caso.
“Foi muito surpreendente descobrir isso”, disse Moslehi à Live Science. “A causa do linfoma vitreorretiniano é desconhecida, então qualquer indício que você obtenha quanto às possíveis causas o deixa muito interessante”, disse ela.
De fato, ao examinar a literatura, os pesquisadores encontraram vários estudos ligando outros tipos de linfoma à exposição à radiação, disse Moslehi. Por exemplo, trabalhadores de limpeza em Chernobyl têm mostrado taxas mais altas de um tipo de câncer chamado leucemia linfocítica crônica, afirmou a pesquisadora. Além disso, as taxas de leucemia em crianças e adultos são aumentadas em pessoas que foram expostas a Chernobyl ou as bombas atômicas que os EUA lançaram no Japão durante a Segunda Guerra Mundial, disse ela.
Os pacientes da cidade de Nova York que haviam vivido perto de Chernobyl tinham entre 62 e 85 anos no momento do diagnóstico, de acordo com o relatório do caso. Os diagnósticos ocorreram entre 24 e 27 anos após a catástrofe nuclear, o que significa que alguns dos pacientes tinham mais de 30 anos quando o desastre ocorreu. Moslehi ainda está estudando os casos dos outros quatro pacientes, que não viveram perto de Chernobyl para entender o fenômeno por completo, disse ela.
Houve também outro conjunto de casos que envolveu condições relacionadas, chamadas distúrbios mieloproliferativos, que foi registrado em Israel, afirma Moslehi. Os distúrbios mieloproliferativos fazem com que as células sanguíneas se proliferem anormalmente. Similar ao grupo de Nova York, os pacientes em Israel eram de etnia asquenaze judaica e viviam perto de Chernobyl no momento da catástrofe.
Moslehi observou que eles ainda não podem ligar esta doença ou linfoma à radiação – mais estudos são necessários para compreender completamente a causa. Por exemplo, pode ser que os judeus asquenazes sejam mais suscetíveis aos efeitos da radiação, disse ela.

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