Ativistas ambientais estão sendo assassinados em quantidade recorde

A crescente competição por terras e recursos naturais fez com que um número recorde de ativistas ambientais mortos em 2016, afirma um relatório da ONG Global Witness. O relatório detalha pelo menos 200 assassinatos em 24 países, número significativamente maior do que em 2015.

As controvérsias sobre a mineração foram a causa do maior número de mortes, seguido da exploração madeireira e do agronegócio. O Brasil viu a maioria das mortes, mas houve grandes aumentos na Colômbia e na Índia.

A Global Witness vem publicando relatórios anuais sobre as ameaças para ativistas desde 2012, embora tenha dados desde 2002. A organização compila sua análise de fontes de mídia, informações de outras ONGs e da ONU. Ela também verifica os dados com grupos de monitoramento em países prioritários, como Brasil, Colômbia, Honduras e Filipinas.

Cerca de 60% dos assassinatos no ano passado ocorreram na América Latina, com um número significativo de vítimas de comunidades indígenas. De acordo com os integrantes que compilaram o relatório, os ataques tornaram-se mais ousados ​​nos últimos anos.

“Nós sempre pensamos que esses casos ocorriam em áreas isoladas remotas, mas estamos vendo ataques se tornando mais descarados, e é porque poucos desses casos resultam em processos bem-sucedidos”, disse Billy Kyte, da Global Witness. “Os povos indígenas estão massivamente representados porque muitas das suas terras se sobrepõem com terras ricas em minerais e madeira e também porque têm menos acesso à justiça ou meios de comunicação”.

As disputas sobre mineração resultaram em 33 assassinatos, enquanto as ligadas à exploração madeireira aumentaram de 15 para 23 em um ano. Um número similar estava vinculado ao agronegócio.

Enquanto o Brasil viu o maior número de assassinatos, com 49, a Colômbia teve seu recorde, com 37. Embora um acordo de paz tenha sido feito entre o governo e os rebeldes das FARC após 52 anos de conflito, a ressaca da violência ainda está afetando ativistas ambientais.

Lista de países com os maiores números de vítimas. Crédito de imagem: Global Witness.

“O que acreditamos é que as comunidades estão tentando recuperar suas terras no contexto do processo de paz e ao fazê-lo estão entrando em conflito com paramilitares, com o crime organizado e com aqueles que roubaram suas terras durante a violência interna”, contou Kyte. “Há também um vácuo de poder em algumas dessas áreas, especialmente onde as FARC tiveram muita presença, e o vácuo está sendo preenchido pelo crime organizado e por pessoas que querem que a terra se torne de monoculturas como o óleo de palma”.

A Índia também registrou um crescimento da violência ambiental com um aumento de três vezes nas mortes. Os autores do relatório acreditam que isso foi desencadeado por uma repressão geral ao ativismo. Quase metade dos mortos morreu em manifestações públicas.

Os autores acreditam que bancos e investidores em grandes projetos de mineração, agronegócios ou de exploração madeireira devem fazer mais para garantir que os assassinatos não estejam sendo realizados em seu nome.

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