Automedicação no reino animal

automedicação de cachorro
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Se você tiver uma dor de cabeça, provavelmente tomará uma aspirina. Você sabe que a ação de tomar o remédio tem muitas chances de fazer o seu desconforto passar. Já que no reino animal não é possível recorrer a um armário de remédios, alguns cientistas da Universidade da Geórgia ficaram curiosos para saber como os animais dão conta das doenças que os afligem.

O ecologista Ria R. Ghai e seu time observaram por quatro anos um grupo de mais de 100 macacos da espécie colubus vermelho no parque nacional de Kibale, em Uganda. A ideia do experimento era descobrir se a floresta tropical fornecia uma substância equivalente ao Tylenol. Os animais infectados com o parasita Trichuris Trichiura – responsável por diarreias e dores abdominais – foram encontrados movendo-se mais lentamente do que os outros indivíduos não infectados do seu grupo, bem como passaram mais tempo descansando.

Os macacos também comeram duas vezes mais casca de árvore do que seus companheiros não infectados, mantendo, entretanto, os mesmos horários de alimentação. Os resultados foram publicados em setembro no Proceedings of the Royal Society B.

Créditos da imagem: CARLO BAVAGNOLI 
Créditos da imagem: CARLO BAVAGNOLI

As fibras contidas nas cascas das árvores de fato auxiliam o intestino a expelir o parasita, porém Ghai suspeitou de uma correlação mais forte. Descobriu-se que sete das nove espécies de árvores e arbustos preferidos pelos macacos contêm substâncias com propriedades analgésicas. Além disso, as mesmas espécies são utilizadas por habitantes daquela região. “Não parece ser apenas uma coincidência”, diz Ghai. Evidências de automedicação estão sendo encontradas também em outros animais.

Recentemente biólogos da Universidade de Helsínquia expuseram centenas de formigas a um fungo perigoso. Os pesquisadores descobriram que muitos insetos infectados escolheram consumir uma solução de peróxido de hidrogênio disponibilizada no experimento. Um ponto interessante é que as formigas saudáveis evitaram a substância, que pode anular infecções em doses pequenas, mas pode ser fatal em uma posologia demasiada.

Via: Scientific American

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