Bullying na escola dobra chance de depressão na vida adulta

38

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, inscreva-se agora.

Sofrer bullying durante a adolescência pode ser responsável por pelo menos um terço dos casos de depressão durante a vida adulta, mostra uma nova pesquisa. Um estudo de longa data feito com jovens do Reino Unido revelou que pessoas que sofreram bullying aos 13 anos de idade duplicaram seus riscos de desenvolver depressão clínica aos 18, comparados com pessoas que nunca sofreram com essa prática.

É impossível dizer com certeza quando o bullying causou a depressão, disse a pesquisadora Lucy Bowes, psicóloga na Universidade de Oxford. Mas Bowes e seus colegas disseram que suspeitam fortemente da existência de uma relação causal. Eles controlaram os fatores que poderiam dar outra explicação para os casos de depressão, incluindo problemas emocionas e genéticos que poderiam tornar uma pessoa mais suscetível tanto ao bullying como a uma depressão clínica.

bully

Bullying e depressão

Estudos anteriores traçaram uma ligação entre o bullying e sintomas de depressão, contou Bowes ao portal americano ‘LiveScience’. E outros estudos de longo prazo também mostraram que pessoas que são vítimas de tal agressão psicológico (e ou física) durante a infância podem desenvolver condições mentais clínicas mais tarde em suas vidas. Por exemplo, um estudo publicado em 2013 na JAMA Psychiatry descobriu riscos elevados de depressão e ansiedade em adultos que sofreram (ou até mesmo cometeram) bullying durante a infância.

Mas a maioria desses estudos mais antigos foram limitados por não conseguirem controlar condições preexistentes ou por pecarem em detalhes na medição do bullying, explicou Bowes. No novo estudo, Bowes e sua equipe utilizaram dados da United Kingdom’s Avon Longitudinal Study of Parents and Children, uma pesquisa que entrevistou crianças com 13 anos de idade sobre assuntos como o bullying, questionando a existência de violência física, ameaças, mentiras, boatos maliciosos e exclusão. “Essa é uma idade onde a influência das crianças com seus pares se torna primordial”, citou Bowes. Mais tarde, quando os participantes alcançavam o final da adolescência, eles respondiam outras questões, agora com relação à sintomas de depressão.

Cicatrizes

Cerca de 15% das vítimas de bullying tinham depressão aos 18 anos, comparados com 5% entre aqueles que não sofreram este tipo de violência – um risco praticamente triplicado. Quando os pesquisadores levaram em consideração outros possíveis causadores de depressão, essa taxa diminuiu um pouco, mas continuou notável, garantiram os estudiosos envolvidos.

“(Por último), encontramos que crianças que disseram sofrer ‘frequentemente’ com bullying durante os 13 anos tinham praticamente o dobro do risco de desenvolver depressão clínica aos 18”, continuou Bowes. A especialista notou que ela e seus colegas também estudaram os efeitos de ser a parte ativa do bullying – isso é, praticar a violência. De acordo com as especialistas, pessoas que cometem bullying normalmente têm problemas preexistentes, que podem nublar os efeitos de longo termo da violência.

Os pesquisadores também encontraram que pais e crianças são “universos distintos” no entendimento da experiência do bullying. Uma pesquisa entre 3700 famílias descobriu que 1199 adolescentes diziam sofrer constantemente com bullying, mas apenas 229 mães afirmavam que seus filhos sofriam com esse tipo de violência. Além disso, entre 41% e 74% dos adolescentes disseram não contar aos professores sobre a agressão, enquanto de 24% a 51% não falavam sobre isso com seus pais.

De acordo com Bowes, o estudo ressalta a importância de continuar com os programas anti-bullying que já estão sendo realizados, e também a necessidade de monitorar a efetividade de tais ações.

Fonte: LiveScience

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, inscreva-se agora.

Comentários
Carregando...