Cervejas mal-cheirosas de 170 anos são encontradas em navio naufragado

Créditos: Sociedade Americana de Química
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Qual seria sua reação ao se deparar com uma cerveja com cheiro de leite azedado e borracha queimada? Foi exatamente isso que os cientistas encontraram ao abrir duas garrafas de cerveja de um navio naufragado ao largo da costa da Finlândia. As cervejas, que segundo uma publicação do ‘LiveScience’ pertenciam ao século 19, possuíam cerca de 170 anos.

 

De acordo com os cientistas, parte do odor desagradável da cerveja se deve ao fato de a água do mar acabou entrando nas garrafas, dando início à décadas de atividade bacteriana na cerveja. No entanto, compostos sobreviventes das bebidas foram capazes de dar aos pesquisadores uma ideia sobre seu sabor original.

 

Créditos: Sociedade Americana de Química
Créditos: Sociedade Americana de Química

 

As garrafas foram encontrados 50 metros abaixo da superfície do mar Báltico, e estavam em meio aos destroços de uma escuna que afundou perto das Ilhas Aland, na Finlândia, no ano de 1840. As cervejas foram encontradas em 2010, junto com 150 garrafas de champanhe. Das cinco garrafas de cerveja que foram encontradas, uma quebrou no meio do caminho, e alguns aventureiros da gastronomia que se arriscaram a provar a bebida, atestam que ela realmente tinha gosto de cerveja, dizem os autores do estudo que foi publicado na revista Journal of Agricultural & Food Chemistry, no mês passado.

 

Para poder analisar melhor o sabor das cervejas, uma equipe liderada por John Londesborough, do Centro de Pesquisa Técnica da Finlândia desarrolhou duas das garrafas que sobreviveram à viagem. Ao fazer isso, os pesquisadores se depararam com uma mistura de odores: extrato de levedura, sulfureto de dimetilo (entenda como odor de repolho), borracha queimada, queijo e enxofre. Estes odores desagradáveis provavelmente eram resultado de bactérias que cresceram no interior das garrafas durante décadas, exterminando qualquer frutado, malte ou lúpulo que a cerveja tinha originalmente.

 

As cervejas foram classificadas com uma coloração “amarelo dourado brilhante, com pouca espuma”.

 

Os cientistas reconheceram que as cervejas não haviam sido armazenadas em condições ideais, e que existem poucos dados sobre a estabilidade química da cerveja durante um longo período de tempo. Entretanto, a partir de suas análises químicas, foram capazes de especular algumas coisas.

 

Eles descobriram que compostos aromatizantes derivados de leveduras foram semelhantes aos de cervejas modernas. Também encontraram que as duas garrafas continham cervejas diferentes, sendo uma mais lupulada (mais amarga) que a outra. Níveis anormalmente baixos de acetato de 3-metilbutilo (composto que dá um leve gosto de banana à cerveja) foram encontrados, mas é possível que a concentração do produto químico tenha caído por conta de seu envelhecimento e contato com a água do mar, escreveram os pesquisadores.

Fonte: LiveScience

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