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Cidade na Colômbia pode ter respostas para barrar Alzheimer

A cidade de Yarumal, na Colômbia, é um verdadeiro laboratório humano. O motivo disso é que Yarumal é a cidade com a maior concentração de pessoas que desenvolveram Alzheimer no planeta. As pesquisas feitas por lá mostraram que nada menos 50% da população tem a chance de ter a síndrome em algum momento da vida. Em um clã de 5 mil pessoas, uma família analisada por especialistas aponta que metade vai apresentar sintomas da doença aos 45 anos de idade ou até menos, o restante terá a partir dos 65 anos. A cidade recebe cientistas de todos os lugares do mundo, em busca de entender as mutações que originaram tal cenário. O Alzheimer é uma espécie de demência que provoca séries danos à capacidade de aprender, lembrar e raciocinar do indivíduo.

Os integrantes do clã familiar descrito acima, segundo os pesquisadores, são descendentes de um explorador espanhol, responsável por introduzir o gene que causa a doença, no século XVII. Agora os cientistas lidam com a possibilidade de cura, já que conseguiram descobrir genes e mutações sofridas por eles que são capazes de acelerar ou retardar o surgimento do Alzheimer. O pesquisador Mauricio Arcos-Burgos, da Universidade Nacional Australiana, disse a BBC que a faixa de idade em que a doença começa aparecer nos membros da família é ilimitada. Segundo Arcos-Burgos, há integrantes que desenvolveram a doença aos 30 anos, como também há registros de pessoas que só tiveram de lidar com ela aos 70 anos.

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Segundo os cientistas, o gene E280A é capaz de retardar o aparecimento da doença em até 17 anos. Já a variante APOE impede o avanço dela. O gene E (APOE) evita com que placas possam aderir ao cérebro, o que faz a comunidade cientifica acreditar que uma mutação dele seria mais benéfica ainda. Por outro lado, há também pesquisas que pretendem desenvolver medicamentos capazes de desenvolverem o mesmo tipo de ação no organismo, isto é, de imitar a expressão desses genes no organismo humano.

Em um estudo publicado na revista Molecular Psychiatry, cientistas de vários países identificaram até nove variantes de genes para o Alzheimer. Algumas que aceleram, outros que retardam o aparecimento dele. Essas pesquisas são uma nova esperança na tentativa de buscar uma cura, já que 99% dos remédios utilizados até o momento não obtiveram resultados animadores. Atualmente, em todo planeta, estima-se que 46,8 milhões de pessoas tenham a doença. Espera-se que esse número chegue a 74,7 milhões de pessoas, em 2030. Ainda não há medicamento ou tratamento que consiga frear o progresso da doença no organismo. [BBC]

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