Cientistas alertam que não sabemos o que fazer se um asteroide ameaçar a Terra

Entre os medos mais comuns entre as pessoas, dificilmente podemos incluir o temor de que um asteroide caia sobre a Terra. Talvez isso se dê, em partes, pelo fato de que sempre que a NASA ou outra agência espacial nos avisa da proximidade de um asteroide, ela faz questão de nos tranquilizar dizendo que o risco dele atingir a Terra é extremamente pequeno. De fato, de acordo com a NASA, todos os “asteroides potencialmente perigosos” que conhecemos possuem menos de 0,01% de chance de atingir a Terra.

Entretanto, há um problema nisso tudo. Conhecemos muitos asteroides, mas obviamente existem muitos mais que sequer imaginamos que estão por aí. E o mais grave é que de acordo com os especialistas, se algum deles acabar tomando uma rota de colisão com a Terra, nós praticamente não sabemos o que fazer. “O grande problema, basicamente, é que não há muita coisa que a gente possa fazer atualmente sobre isso”, disse Joseph Nuth, do Centro Goddard de Vôos Espaciais em um encontro realizado em San Francisco nesta semana.

E nós não estamos falando de asteroides inesperados, detectados alguns dias ou semanas antes da aproximação com a Terra. A verdade é que levaria anos para completar algum tipo de operação de deflexão, então qualquer espaço de tempo mais curto que esse nos permitiria apenas pensar em evacuação em massa.

De acordo com Alan Yuhan, do jornal The Guardian, houveram dois encontros notavelmente próximos à Terra em épocas recentes: um em 1996, quando um cometa colidiu com Júpiter; e um em 2014, que passou esteve muito próximo de Marte, nosso vizinho mais próximo.

Os cientistas detectaram o cometa de 2014 cerca de 22 meses antes dele passar parte de Marte, mas Nuth diz que mesmo essa quantidade de tempo talvez não fosse suficiente para fazer algo no sentido de nos salvar, caso o alvo fosse a Terra.

A NASA possui um Escritório de Proteção Planetária – que conta com apenas um cientista -, mas atualmente as nossas atividades científicas estão literalmente na maior parte do tempo ignorando ameaças desse tipo. Em vez de nos preocupar com os meteoros, apenas os registramos.

De acordo com a ONG Planetary Society (Sociedade Planetária), dos EUA, nós detectamos apenas 60% dos asteroides que passam próximo da Terra. Então qual seria a solução? Para Nuth, de acordo com sua fala no encontro realizado em San Francisco, o ideal seria a construção de uma espaçonave com a atribuição de interceptar esses asteroides, como uma “carta na manga” para o caso de precisarmos. Ele também sugere que a NASA construa uma espaçonave simples, apenas para observação, para que nós possamos ter uma ideia melhor do asteroide que estamos lidando, caso estejamos correndo risco.

Para Nuth, tendo uma nave capaz de interceptar um asteroide, poderíamos lançá-la dentro de um ano ou menos após ficarmos sabendo do perigo, e talvez tivéssemos mais chance de evitar maiores danos do que atualmente. Para ele, nós logicamente temos muito menos chances se deixarmos para construir essa espaçonave apenas quando ficarmos sabendo do perigo.

Os riscos são pequenos, mas eles existem, e os asteroides já mostraram para o nosso planeta como podem acabar com populações e dizimar espécies. Os dinossauros que o digam.

Fonte: ScienceAlert

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