Cientistas conseguem causar alucinações através de vídeos

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Originalmente por Joel Pearson – UNSW Australia | LiveScience

Como podemos medir a mente? Se você perguntar a alguém o que eles estão pensando, eles podem muito bem esconder a verdade. Isso não significa que eles estão mentindo. Pode significar que muitas influências ambientais, sociais e pessoais podem mudar o que alguém diz.

Se você colocar um jaleco branco de laboratório, um terno ou uma camiseta e fazer algumas perguntas para alguém, a roupa que você está vestindo pode influenciar as suas respostas. Isso foi demonstrado nas famosas experiências de Milgram, nos anos 60, que mostraram o poder da autoridade no controle do comportamento dos indivíduos. As pessoas querem ser aceitas, ou passar uma certa impressão. Isso é comumente referido como gerenciamento de impressão, e é um dos obstáculos mais difíceis de se superar na pesquisa científica.

Neurocientistas fizeram avanços notáveis na medição da anatomia do cérebro e suas regiões. Mas fizeram poucos avanços consideráveis na medição da mente – ou o que tange aos pensamentos, sentimentos e experiências. A mente é notoriamente difícil de ser estudada, mas precisa ser alvo de estudos, uma vez que um maior entendimento sobre ela iria ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos para distúrbios mentais e neurológicos.

Imagens mentais fora de controle e alucinações são bons exemplos de sintomas de saúde mental que são difíceis de serem medidos com precisão na ciência e medicina. Um estudo publicado esta semana mostra um novo método para induzir e medir alucinações visuais em qualquer um a qualquer momento.

Estes resultados abrem a porta para uma nova via de investigação. Nós podemos agora estudar alucinações visuais no laboratório, usando qualquer pessoa como objeto de estudo.

O que são alucinações?

Alucinações são comumente associadas a distúrbios como a esquizofrenia e a doença de Parkison. Mas as pessoas saudáveis também podem ter alucinações visuais depois de utilizar drogas, passar tempo considerável sem dormir, enfrentar fortes dores e condições semelhantes.

Geralmente, as alucinações são definidas como experiências perceptivas involuntárias, sem estímulos diretos apropriados. Para simplificar: ver ou ouvir algo que não está ali de verdade. As alucinações podem variar de formas geométricas simples, como gotas, linhas e hexágonos, até animais, pessoas e insetos.

Essas experiências involuntárias, de acordo com alguns teóricos, acontecem quando mudanças espontâneas no cérebro temporariamente ‘sequestram’ nossa visão e atenção, mas as causas exatas não são totalmente compreendidas. A melhor maneira de entender essas coisas, é induzindo uma alucinação e observá-la em laboratório.

Sabemos há mais de 200 anos luzes cintilantes, em frequências específicas, podem causar alucinações em praticamente qualquer um. Mas a imprevisibilidade, complexidade e natureza pessoal dos indivíduos torna difícil uma análise científica, sem ter que depender de descrições verbais.

Em um novo estudo, as alucinações foram provocadas por manchas cinzas. Para fazer isso, em vez de exibir luzes randômicas, ou um computar com a tela ligando e desligando, os pesquisadores utilizaram uma imagem em forma de anel, piscando de forma veloz.

Para surpresa dos cientistas, quando eles fizeram isso, não mais encontraram formas diferentes e cores alternadas – as alucinações se transformaram em algo específico: manchas cinzas. Ao estabilizar de forma confiável a alucinação, os cientistas puderam começar a investigar objetivamente os mecanismos subjacentes.

Induzindo alucinações

Os participantes voluntários do estudo eram estudantes universitários sem histórico de enxaquecas ou distúrbios psiquiátricos. Eles assistiram a imagem do anel branco acender e apagar cerca de dez vezes por segundo em um fundo preto. Todos eles relataram observar manchas cinzas aparecendo no anel e ao redor dele, primeiro em uma direção, depois na outra.

Para medir as alucinações, foi colocado um segundo anel marcado com manchas cinzentas permanentes (não ilusórias) dentro do anel branco, e então os pesquisadores o fizeram cintilar novamente. Isso permitiu que as pessoas simultaneamente observassem as manchas ilusórias e perceptivas, e fizessem uma comparação simples.

Os pesquisadores mostraram uma série de manchas de diferentes qualidades de percepção. Os participantes, em seguida, diziam se as manchas ilusórias eram mais claras ou mais escuras que as reais. As repostas ajudaram os cientistas a calcular o ponto de equivalência em força e contraste entre a percepção e a alucinação.

O que mais foi feito?

Os pesquisadores utilizaram técnicas de ciências comportamentais para demonstrar que as alucinações surgiam dentro do córtex visual. Eles fizeram isso mostrando aos voluntários dois anéis cintilantes – um para cada olho, exibidos sem sincronia. Então, quando um anel era apresentado, o outro era removido, então eles alternavam entre os dois olhos.

Essas luzes piscavam cerca de 2,5 vezes por segundo – uma taxa relativamente lenta, que normalmente não induz fortes alucinações. Mas os voluntários apresentaram alucinações consistentes com as luzes piscando cerca de cinco vezes por segundo. Os sinais provenientes dos dois olhos foram combinados no cérebro para formar uma alucinação mais forte e veloz.

Essa combinação de sinais dos dois olhos realmente só acontece no córtex visual, e não no olho ou outras áreas de processamento do cérebro que recebem informações visuais.

Atualmente, os pesquisadores estão testando este novo método para induzir e medir alucinações em pessoas com distúrbios neurológicos para revelar mais sobre como alucinações clínicas são experienciadas e processadas no cérebro.

Se os pesquisadores puderem descobrir os mecanismos subjacentes das alucinações visuais, isso serviria como alvo para os tratamentos focarem.

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