Cientistas conseguem sequenciar DNA de vítima da erupção em Pompeia pela primeira vez

Quando o Monte Vesúvio entrou em erupção, em 79 d.C, os 20 mil habitantes da cidade de Pompeia foram enterrados sob 7 metros de cinzas e escombros, sendo que pouquíssimos conseguiram fugir e sobreviver para contar a história.

Essa camada de destroços manteve muitos dos restos mortais deste terrível evento histórico intactos até os dias de hoje. E agora, pela primeira vez, os cientistas conseguiram sequenciar o genoma de uma das vítimas.

Cientistas conseguem sequenciar DNA de vítima da erupção em Pompeia pela primeira vez

O homem em questão foi encontrado em um prédio conhecido como “Casa do Artesão”, conforme informou a CNN. Arqueólogos o descobriram caído dentro da sala de jantar ao lado de uma mulher mais velha, no início dos anos 1930. E desde o início, os cientistas ficaram intrigados com o fato de que as lacunas de genoma do rapaz estavam perfeitamente preservadas, oferecendo revelações inéditas para a ciência.

Embora Pompeia seja um dos sítios arqueológicos mais estudados do mundo, reunir evidências genéticas de suas vítimas nunca foi uma tarefa fácil.

Conforme publicado na revista ‘Scientific Reports’, o novo estudo mostrou que o homem tinha entre 35 e 40 anos de idade, e provavelmente não conseguiu fugir da erupção porque sofria com uma tuberculose espinhal, ou doença de Pott. “Pompeia é um dos sítios arqueológicos mais singulares e notáveis do planeta, e é uma das razões pelas quais sabemos tanto sobre o mundo clássico”, disse Gabriele Scorrano, principal autor do estudo. “Poder trabalhar e contribuir para agregar mais conhecimento sobre esse lugar único é inacreditável”.

Serena Viva

A erupção do Monte Vesúvio, da forma como ela é relatada, foi assustadora de se ver. Quando o vulcão localizado no sul da Itália entrou em erupção, uma nuvem de cinzas e pedras atingiu as imediações, literalmente engolindo a cidade de Pompeia e Herculano.

Os habitantes morreram tanto pela erupção em si, quanto pelo efeito dos gases tóxicos liberados por ela. E embora 2 mil conjuntos de restos mortais tenham sido desenterrados da cidade destruída, a maior parte do que se sabe sobre este evento terrível decorre de um relato de Plínio, o Jovem. Felizmente, o advento da tecnologia moderna mudou essa realidade.

Os dois pompeianos em questão foram descobertos em 1932 e 1933. Encontrados no canto da sala de jantar, ao que tudo indica eles haviam acabado de almoçar.

A antropóloga da Universidade de Salento, Dra. Serena Viva, explicou que eles provavelmente não conseguiram fugir por conta de suas condições de saúde. De fato, ela encontrou bactérias conhecidas por causar tuberculose no DNA no homem. Gabriele Scorrano, que atua como professor do Departamento de Saúde e Ciências Médicas da Universidade de Copenhague, disse ter ficado surpreso ao ver uma quantidade tão pequena de pó de osso revelar tantas informações importantes.

“O mais crucial de tudo foi a preservação dos esqueletos. É a primeira coisa que analisamos, e ela é promissora, então decidimos dar uma chance à extração de DNA.

Novas máquinas de sequenciamento podem ler vários genomas inteiros ao mesmo tempo”, explicou Gabriele, que esteve envolvido no estudo cujas descobertas também ajudam a ilustrar a diversidade de Pompeia. Embora o DNA extraído do seu crânio tenha mostrado que ele compartilhava marcadores genéticos com pessoas que viviam na Roma Antiga, ele também tinha genes comumente encontrados em pessoas da Sardenha.

“Isso é significativo porque mostra que ainda não sabemos muito sobre a diversidade genética na época do Império Romano, e como isso afetou os italianos modernos e outras populações mediterrâneas”, explicou Gabriele.

Os cientistas compararam o DNA do homem com mais de 1000 contemporâneos, e descobriram que 471 deles eram da Eurásia Ocidental. Isso sugere que havia uma diversidade genética substancial nas populações ao redor da Península Itálica na época. Antes deste estudo, apenas pequenas quantidades de DNA mitocondrial de restos humanos da Pompeia tinham sido sequenciadas.

A maioria das evidências foram destruídas pela própria natureza, já que o oxigênio na atmosfera leva os restos mortais à decomposição. Felizmente, no entanto, o gás, a lava e os detritos de Pompeia protegeram este DNA em específico. Ainda há muita pesquisa para ser feita sobre as vidas e a morte daqueles que habitavam a Pompeia há quase dois milênios. Para Gabriele Scorrano, o sequenciamento do genoma foi uma peça importante do quebra-cabeça, e participar “de um estudo como este foi um grande privilégio”.

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