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Cientistas dão passo importante para a criação de vida artificial

Originalmente por David Nield | Science Alert
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio.

A criação de vida artificial é uma ideia que sempre carrega muito preconceito e provoca polêmicas. Apesar de tudo isso, cientistas recentemente conseguiram sintetizar seis dos 16 cromossomos das leveduras. Isso significa que eles estão mais próximos de conseguir produzir genomas de leveduras – o que seria algo extremamente importante na caminhada para a criação de formas de vida em laboratório.

Os cientistas por trás desta nova pesquisa fazem parte do “Synthetic Yeast Genome Project” (ou Projeto do Genoma Sintético de Leveduras, em português). A expectativa dos responsáveis pelo projeto é de que o genoma artificial possa ser produzido já no próximo ano.

O geneticista George Church, da Universidade de Harvard, disse a Kristen V. Brown, do Gizmodo, que o novo estudo é muito animador. Ele não está envolvido no projeto. “Eles conseguiram fazer a parte mais difícil. Os outros 2/3 do genoma deverá sair muito mais rápido”, disse.

A edição de DNA tem sido pauta de muita importância na ciência recentemente. Nos últimos anos, os cientistas foram capazes de evitar o apodrecimento de maçãs e prevenir reinfecções por HIV por meio da edição de células com tecnologia CRISPR-Cas9. Mas dessa vez, a ideia é produzir um organismo unicelular completo em laboratório. Algo semelhante foi realizado anteriormente envolvendo a bactéria Mycoplasma genitalium. Entretanto, o genoma da levedura é muito mais complexo, diz o ScienceAlert.

Caso a equipe tenha sucesso, será o primeiro de genoma de um organismo eucarionte a ser sintetizado. O processo utilizado pelos cientistas envolve a construção dos cromossomos por meio dos quatro blocos de construção químicos que fazem o DNA: Adenina, citosina, guanina e timina. Em cada estágio, cromossomos naturais são cuidadosamente substituídos por outros criados em laboratório. Então, a levedura é testada para conferir se suas funções estão atuando como esperado. Isso está sendo possível por meio de um programa de computador chamado BioStudio.

Esse processo pode eventualmente fazer com que os cientistas tenham a capacidade de produzir outros tipos de edições genéticas. O processo pode ajudar, por exemplo, a alterar a composição de drogas para tratar doenças, bem como pode auxiliar na produção de diferentes tipos de biocombustível.

No momento, os cientistas planejam produzir cromossomos de levedura que funcionem da mesma forma que os naturais, com algumas edições – retirando, por exemplo, códigos redundantes.

Os resultados da pesquisa podem ser encontrados, na íntegra, em Science.

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