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Cientistas encontram evidências de que neurônios podem se comunicar de uma forma inédita

Por Fiona MacDonald | ScienceAlert
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio.

Pesquisadores descobriram recentemente um novo mecanismo que controla a forma como as células nervosas do nosso cérebro se comunicam para regular a aprendizagem e a memória de longo prazo. O fato de que um novo mecanismo cerebral esteve se escondendo logo abaixo de nossos narizes é uma prova do quanto nós ainda temos para aprender sobre o funcionamento do cérebro, bem como o que ocorre durante desordens neurodegenerativas como o Alzheimer e a epilepsia.

“Essas descobertas representam um avanço significativo, e possuem grandes implicações para o entendimento da memória, cognição, plasticidade cerebral e formação e estabilização da rede neural”, disse o principal pesquisador do estudo, Jeremy Henley, da Universidade de Bristol, no Reino Unido.

“Nós acreditamos que esse é um estudo inovador que abre novas linhas de pesquisa que irão aprimorar o conhecimento dos detalhes moleculares das funções sinápticas na saúde”, continuou.

O cérebro humano contém cerca de 100 bilhões de células nervosas, e cada um delas produz até 10 mil conexões – conhecidas como sinapses – com outras células. Isso é, de fato, um grande número de conexões, e cada uma delas é fortalecida ou enfraquecida, dependendo de diferentes mecanismos cerebrais que os cientistas já tentam entender há décadas. Até agora, um dos mecanismos mais conhecidos capazes de fortalecer as informações que fluem pelas sinapses é a LTP, ou potenciação de longa duração. A LTP intensifica a conexão entre as células, tornando mais eficientes as trocas de informação entre as células, e tem um papel importante nas condições neurogenerativas. Níveis elevados de LTP fazem com que seus riscos de desenvolver epilepsia aumentem. Ao mesmo passo, níveis muito baixos podem aumentar os riscos de Alzheimer, entre outras condições.

Andrii Vodolazhskyi/Shutterstock.com

Até onde os pesquisadores sabem, a LTP normalmente é controlada pela ativação de proteínas especiais chamadas de receptores NMDA. Mas a equipe britânica descobriu um novo tipo de LTP que é regulado de uma maneira totalmente diferente. Depois de investigar a formação de sinapses em laboratório, a equipe demonstrou que esse novo mecanismo é controlado por moléculas conhecidas como receptores kainate, em vez de NMDA. “Esses dados revelam um papel novo dos receptores pós sinápticos kainate na indução de plasticidade funcional e estrutural no hipocampo”, escrevem os pesquisadores no ‘Nature Neuroscience’.

Isso significa que descobrimos um mecanismo até então inexplorado que pode controlar a aprendizagem e a memória. “Desembaraçar as interações entre os receptores de sinais no cérebro não só nos ajudam a entender o funcionamento interno de um cérebro saudável, mas também fornece uma visão prática do que acontece quando formamos novas memórias”, disse um dos pesquisadores, Milos Petrovic, da University of Central Lancashire. “Se nós preservarmos esses sinais, isso pode ajudar a evitar doenças cerebrais”.

Não apenas isso abre uma nova via de pesquisa, que pode levar a uma melhor compreensão de como nossos cérebros funcionam, mas se os pesquisadores forem capazes de encontrar uma maneira de direcionar essas novas vias, isso pode levar a tratamentos mais eficazes para uma série de distúrbios neurodegenerativos. Ainda são os primeiros dias, e a descoberta agora precisará ser verificada por pesquisadores independentes, mas é um novo campo promissor de pesquisa. “Esta é certamente uma descoberta emocionante, e é algo que poderia potencialmente impactar a população global”, disse Petrovic.

A pesquisa foi publicada na Nature Neuroscience.

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