Cientistas estão mais próximos de prever erupções vulcânicas

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Em média, 40 vulcões entram em erupção a cada mês na terra, enquanto outras dezenas entram em erupção no fundo do mar. Uma nova animação em time-lapse unindo vulcões, terremotos e emissões gasosas expõem dados sobre as placas tectônicas, sugerindo o calor e energia abaixo delas que está querendo escapar.

Com um clique, os usuários dessa nova animação tecnológica pode ver os últimos 50 anos de erupções, terremotos e emissões. Chamado de E3, a aplicação permite que o usuário selecione e acesse informações específicas sobre determinadas erupções, emissões e terremotos, bem como sobre impactos coletivos. Visualizando esses dados globais, usuários podem aumentar ou diminuir a passagem do tempo, observando mapas planos ou globos, e visualizando nuvens gasosas circulando o planeta.

Dados do Programa Global de Vulcanismo do Smithsonian e do Serviço Geológico dos Estados Unidos alimentam o aplicativo, e as bases de dados estão disponíveis para download de forma gratuita. O aplicativo será atualizado de forma contínua, acumulando novos eventos e informações adicionais assim que elas se tornarem disponíveis.

“Alguma vez você já gritou ‘eureka’ no momento em que você viu algo que parecia caótico, finalmente organizado? Esse aplicativo é um exemplo desses momentos”, disse Elizabeth Cottrell, líder do Programa de Vulcanismo Global do Instituto Smithsonian em Washington-EUA.

“O que levou mais de 200 anos para geólogos aprenderem, esse aplicativo aprende em segundos. Queríamos compartilhar essa alegria com a maior audiência possível. Essa é a primeira vez que nós temos a possibilidade de apresentar essas bases de dados para o público”, disse, antes de continuar: “Esse aplicativo não é interessante apenas para educadores e para o público, mas também serve para ajudar cientistas a entender como se comportam as erupções e as ligações entre o funcionamento interno da Terra e o ar que respiramos”.

Uma equipe de especialistas desenvolveu o aplicativo com o auxílio do Instituto Smithsonian e do Observatório Deep Carbon (DCO), um programa internacional multidisciplinar que investiga a quantidade, movimentos, formas e origens do carbono presente no interior da Terra.

Veja a continuação desta postagem na próxima página:

Acompanhando emissões vulcânicas para evitar desastres

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Centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo vivem perto de vulcões ativos, e as erupções podem causar grandes danos econômicos mesmo quando poucas pessoas vivem por perto. Em 2010, o Eyafjallajökull (boa sorte pronunciando) entrou em erupção na Islândia, expelindo enormes nuvens de cinzas, interrompendo viagens aéreas e custando cerca de 2 bilhões de dólares para a indústria aérea. Uma melhor antecipação desses eventos poderia baixar o custo humano e econômico desses fenômenos naturais.

Descobertas recentes de cientistas do DCO na iniciativa Deep Earth Carbon Degassing (DECADE) estão armando o terreno para previsões mais precisas de erupções vulcânicas. Esses avanços requerem, no entanto, investimentos pesados para encontrar “dicas” nas emissões gasosas.

“Estamos implementando estações de monitoramento em vulcões ao redor do mundo para medir os gases que eles emitem”, diz Tobias Fischer, vulcanólogo da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, e líder da DECADE. “Nós medimos dióxido de carbono, dióxido de enxofre e vapor de água, os principais gases emitidos por vulcões. Nas horas anteriores a uma erupção, observamos mudanças consistentes na quantidade de dióxido de carbono emitida em relação ao dióxido de enxofre. Prestar atenção nesses níveis, em plano global, através de satélites e monitoramento on-line nos ajuda a aprender sobre o que precede uma erupção vulcânica. Monitorar essas variações também nos ajuda a ter uma estimativa mais precisa sobre as emissões do dióxido de carbono na Terra – um objetivo da DCO”, disse, antes de continuar:

“Nossa meta de triplicar o número de vulcões monitadores ao redor do mundo até 2019 não é uma tarefa fácil. Instalar equipamentos no topo de vulcões é um trabalho perigoso em lugares muito difíceis de chegar. Por vezes nossas estações de monitoramento se tornam vítimas das erupções que estamos tentando analisar, como aconteceu com o vulcão Villarrica, no Chile. Pelo menos nossos equipamentos gravaram mudanças na composição dos gases antes de serem destruídos”, relatou Fischer.

Até 2019, cientistas da DECADE esperam ter estações de monitoramento de gases em 15 dos 150 vulcões mais ativos. Eles irão se somar às oito estações que estão operando atualmente por outras entidades como a USGS e a Universidade de Palermo, da Itália. Os dados coletados por essas estações de monitoramento estão abastecendo uma nova base de dados de emissões de carbono por parte de vulcões, fazendo com que essas informações estejam disponíveis para mais cientistas ao redor do mundo.

Vulcanólogos da DCO também estão avançando no conhecimento básico sobre as diferenças no funcionamento dos vulcões, o que impulsiona ainda mais as previsões de erupções.

Maarten de Moor e sua equipe da Universidade Nacional da Costa Rica, por exemplo, utilizando estações de monitoramento da DECADE, mediram as emissões de gases nos vulcões Póas e Turrialba, localizados na Costa Rica. De Moor e seus colegas observaram mudanças consideráveis nas composições de gases antes das erupções nesses vulcões.

Historicamente, sempre foi mais fácil medir as emissões do dióxido de enxofre, em relação ao dióxido de carbono. No entanto, cientistas da DCO no Centro Nacional de Pesquisa Científica da França e na Universidade de Lorraine estão desenvolvendo novas ferramentas geoquímicas para detectar e monitorar em grande escala as emissões de dióxido de carbono pelos vulcões. As novas ferramentas incluem um novo método de alta precisão para medir o excesso de uma rara forma de hélio, encontrada apenas no magma, liberadas no ar.

Para avaliar a atividade vulcânica e gasosa em escala global, pesquisadores do DCO na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, estão utilizando outra abordagem: estão medindo os gases vulcânicos a partir do espaço, utilizando satélites.

“Enquanto o vapor de água e o dióxido de carbono são muito mais abundantes, o dióxido de enxofre é mais fácil de ser medido por que a Terra possui pouco dióxido de enxofre”, disse Marie Edmonds, da DCO. “Com satélites, somos capazes de medir as emissões de dióxido de enxofre por anos, e a tecnologia só melhora”, comemora. Originalmente por phys.org

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