Como o desmatamento na Amazônia pode influenciar na escassez de água do Sudeste?

Créditos: LUIS MOURA/ESTADÃO CONTEÚDO
76

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, inscreva-se agora.

Ultimamente, o Sudeste passa por uma das piores secas de sua história. O nível crítico dos reservatórios de água está obrigando o governo a realizar o racionamento, que não é nada agradável para a população, mesmo que seja necessário.

Para que se entenda todo o processo, é necessário compreender o que ocasiona as chuvas da região. Vejamos o mapa:

DEFFDSFASDInterpretando-o, podemos observar que o Sudeste sofre influência de três massas de ar: a Polar atlântica (MPA); a Tropical atlântica (MTA) e a Equatorial continental (MEC). Embora as duas primeiros tragam umidade, elas não se comparam à MEC. Essa massa é a responsável pelo maior índice de pluviosidade do Brasil, no Norte, além de ser crucial para as chuvas no Centro-Oeste, no interior do Nordeste e no interior do Sudeste.

Todo esse seu poder está diretamente relacionado à Floresta Amazônica, pelo processo de evapotranspiração. Se você procurar a definição desse feito, achará várias definições. Porém, basicamente é apenas uma junção de evaporação (em ambientes continentais) com transpiração. A primeira ocorre a partir da passagem da água das chuvas armazenadas nos lençóis freáticos do estado líquido para o de vapor. A segunda ocorre a partir do evapotranspirationmomento em que as plantas absorvem a água para ajudar no metabolismo, mas grande parte dela acaba não servindo para nada, sendo “transpirada”. Ademais, a transpiração serve para regular a temperatura dos vegetais, se assemelhando ao suor em animais.

Até agora, podemos separar os seguintes postulados:

1. A evapotranspiração forma nuvens que podem ocasionar a precipitação de chuvas;

2. O processo depende, além do solo, das plantas;

3. A Floresta Amazônica possui uma grande área de árvores;

4. A Massa Equatorial Continental (MEC) tem uma extraordinária umidade e é formada no Norte, e;

5. Essa massa é a principal responsável pelas chuvas no Norte, no Centro-Oeste, no interior do Sudeste e no interior do Nordeste;

Logo, partindo das premissas anteriores, podemos inferir que a umidade nas regiões citadas são provocadas pelo processo de evapotranspiração das plantas no Norte. Ou seja, quanto menos plantas, menor será o grau do processo, menor será a umidade e, consequentemente, a pluviosidade.

“Certo, Josik, mas o Sudeste e o Nordeste não sofrem com a ação de apenas uma massa de ar”

Sim, isso é notório. Porém, os principais reservatórios de água dessas regiões estão localizados em seu interior. Podemos citar, como exemplo, o Sistema Cantareira, que abastece a maioria da cidade de São Paulo, e o Açude de Boqueirão, que abastece boa parte do Agreste Paraibano.

O desmatamento pode contribuir para a diminuição do número árvores, e, hoje em dia, está descontrolado – de 1970 até 2013, a Amazônia perdeu 762.979 km² de floresta. Se não houver uma maior rigidez nas leis ambientais e na fiscalização, as consequências serão mais perceptíveis.

O fenômeno El Niño age da mesma forma, porém não é resultado direto de ações antrópicas, mas sim do aquecimento das águas do Oceano Pacífico.

[NOTA]Eu citei o Sistema Cantareira e o Açude de Boqueirão, pois moro em Campina Grande e desconheço os reservatórios que se localizam no interior dos outros estados. Se quiserem me sugerir alguns outros, eu editarei na parte da citação. Obrigado.

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, inscreva-se agora.

Comentários
Carregando...