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Como o DNA dos antigos Neandertais ainda nos afeta até hoje

Por Stephan Kozub | The Verge
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio.

Como sabemos, os Neandertais já foram extintos há algum tempo, mas até hoje restos dos genes dos nosso antepassados podem estar relacionados com algumas doenças. De acordo com um estudo publicado no mês passado no ‘Cell’, o DNA herdado dos neandertais afetam quais de nossos genes serão ‘ativados’. Esse fenômeno sugere que alguns traços como a altura e a suscebilidade a doenças como a esquizofrenia e o lúpus podem ser afetados nas pessoas com ancestralidade neandertal. Quem chegou nesses resultados foi uma equipe de cientistas da Universidade de Washington, em Seattle.

Esse não é o primeiro estudo a mostrar que os genes de neandertais podem afetar os humanos modernos: no último humano, um estudo publicado no Science encontrou uma pequena, mas mensurável, relação entre os genes neandertais e certas condições de pele e do sangue. A pesquisa também sugeriu que certas condições herdadas dos nossos antepassados foram úteis para nós em certo ponto. As pessoas que não são descendentes de africanos podem dizer que 1 a 4% de seus genes foi herdado dos neandertais.

Em vez de utilizar registros médicos, esse novo estudo utiliza tecidos humanos, e foca espeficiamente na maneira como as sequências genéticas dos neandertais afetam quais genes são ativados ou desativados nos humanos modernos, diz Joshua Akey, coautor do estudo e geneticista da Universidade de Washington. Segundo Akey, nós carregamos, hoje em dia, muito do genoma dos neandertais, e se nós compreendermos esse genoma e a sua função, então entenderemos melhor o genoma humano.

Os pesquisadores utilizaram amostras de 52 tecidos do corpo humano. Nenhuma deles mostrou preferência em relação ao padrão humano ou neandertal no que diz respeito à expressão do gene – exceto no cérebro e nos testículos. Nesses locais, as versões neandertais dos genes raramente eram ativas. Isso sugere que a regulação de genes entre humanos modernos e neandertais diferem mais nesses tecidos.

A influência dos genes neandertais em nossos traços também revela que nós mudamos enquanto espécie como um resultado dos cruzamentos entre espécies diferentes. De acordo com Rasmus Nielsen, biólogo evolucionista na Universidade da Califórnia , que não trabalhou no estudo, “isso muda a forma como nos entendemos enquanto espécie”.

Os pesquisadores utilizaram uma base de dados pública para estudar 52 tecidos diferentes, a partir de 214 indivíduos. A base de dados, chamada de GTEx, cataloga os níveis de RNA em 53 tecidos diferentes, e é tão complexa que os pesquisadores desenvolveram um método estatístico próprio para conseguir aproveitar adequadamente os dados.

O próximo projeto almejado pela equipe envolve a expressão genética do povo da Melanésia. Esses indivíduos, acreditam os cientistas, carregam sequências herdadas dos Denisovanos. Akey também diz que ele está interessado em analisar geograficamente diversas populações, e acredita que estudando os seres humanos ao redor do mundo pode acarretar na descoberta de grupos humanos arcaicos até então desconhecidos.

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