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Como os sites anti-vacinas mentem para sustentar suas falsas evidências

Contribuição: Live Science Professor – Meghan Moran – Muitos sites que promovem conteúdos não científicos sobre as vacinas usam a pseudociência e a desinformação para espalhar a idéia de que as vacinas são perigosas, revela um novo estudo. Por exemplo, dos 500 sites de ativistas anti-vacinação examinados no estudo, quase dois terços afirmaram que as vacinas causam autismo. No entanto, vários estudos demostram que não existe nenhuma ligação entre as vacinas e o autismo. Esses sites usam informações representadas como evidências científicas, o que na verdade não são, para apoiar as suas reivindicações de que as vacinas são perigosas. Alguns sites também citam estudos reais e até colocam como suas fontes de informações, o que acontece, é que além de essas fontes serem mal interpretadas, alguns realmente tentam manipular os dados sabendo que o leitor desinformado não vai clicar na fonte nem muito menos entender.

“Mesmo a própria informação dessas fontes sendo precisamente ótima a forma como estava sendo interpretada não ajudava em nada”, disse o autor do estudo Meghan Moran, professor associado do Departamento de Saúde, Comportamento e Sociedade da Universidade Johns Hopkins Bloomberg School. “Ela estava sendo distorcida para sustentarantivacina uma ideia anti-vacina”.

No estudo, os pesquisadores analisaram sites com conteúdo sobre vacinas infantis. Eles usaram quatro motores de busca para encontrar os sites – Google, Bing, Yahoo e Ask – usando termos específicos como”os perigos da imunização” e “os perigos das vacinas”, bem como outras frases. Sua amostra final de 480 sites anti-vacinas incluiu uma mistura de sites pessoais, blogs, páginas do Facebook e sites de saúde. Os pesquisadores examinaram o conteúdo dos sites, procurando desinformações relacionadas as vacinas, as fontes das desinformações e os tipos de táticas persuasivas que utilizam para convencer as pessoas de que as vacinas são perigosas. Ao examinar os sites, os pesquisadores também observaram uma série de mal-entendidos e erros de interpretação dos princípios epidemiológicos, disse Moran ao Ciência Viva.

Por exemplo, os epidemiologistas sabem que a correlação não implica na causalidade. “Só porque duas coisas acontecem ao mesmo tempo, isso não significa que uma está influenciando a outra”, disse Moran. Com isso, alguns dos sites apresentam relações esdrúxulas, por exemplo, que as taxas de imunização subiram ao longo do tempo, coincidindo com um aumento de diagnósticos de autismo. Embora seja verdade que as duas coisas aumentaram mesmo após um determinado período de tempo, os sites anti-vacinas frequentemente deixam claro que “as vacinas estão causando o autismo, e eles não nos dizem a verdade”, relata Moran. Outra tática comumente empregada pelos websites no estudo foi o uso de anedotas e estórias histórias de alguns pais de crianças com autismo, disseram os pesquisadores. Porque essas histórias fazem com que outros pais “se identifiquem” com o problema, e isso ajuda emocionalmente a estas pessoas a adotarem o mesmo discurso anti-vacina que estes sites estão promovendo.

vacina

Alguns dos sites também incluem informações até úteis que realmente fazem bem pra saúde, disseram os pesquisadores. Por exemplo, 18,5% desses sites promovem uma alimentação saudável, e cerca de 5% recomendam o consumo de alimentos orgânicos e 5,5% recomendam o aleitamento materno prolongado para as crianças. A conclusão fomenta que os pesquisadores e funcionários de saúde “precisam se comunicar com o pai- anti-vacina (que nega a vacinar o seu filho) de forma que entenda eles e que seja sensível às suas preocupações”, disse Moran em um comunicado. “Em nossa avaliação, vimos boas informações sobre assuntos que consideramos saudáveis, tais como a amamentação, alimentação orgânica, os tipos de mudanças de comportamento que a saúde pública também quer incentivar. Acho que podemos alavancar essas coisas boas e reformular a nossa comunicação de uma forma que faça sentido para aqueles pais que resistem em vacinar seus filhos “.

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