Como um tsunami “esquecido” de 600 anos pode ter mudado a história

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No extremo da ilha de Sumatra, pertencente à Indonésia, fica o território conhecido por Achém, que em 2004 foi acometido por um terrível tsunami que provocou a morte de 230 mil pessoas ao todo, ao longo de sete países banhados pelo Oceano Índico. Ao que tudo indica, no entanto, estes fenômenos catastróficos não representam uma novidade historicamente falando.

Conforme relatado por um artigo recente da National Geographic, Achém provavelmente foi atingida por um tsunami de igual ou maior magnitude em meados dos anos 1300, quando teve grande parte de sua população devastada junto com o vilarejo que se formava na região àquela época. Estes indícios vêm com uma pesquisa publicada recentemente na Proceedings of the National Academy of Sciences. Segundo os pesquisadores, esta catástrofe ocorrida há séculos pode ter sido de suma importância para o desenvolvimento do famoso Sultanato de Achém, que reinou na região durante vários séculos. Isso porque, após o incidente de 1300, um dos únicos locais que sobreviveram ao desastre ficava na parte de cima de uma colina, e recebera o nome de ‘Lamri’. Este ponto foi de grande importância no comércio local durante muito tempo.

De acordo com as descobertas feitas pela pesquisa, os cientistas acreditam que a reconstrução das zonas costeiras de Achém não se deu pelos próprios moradores anteriores, e sim por muçulmanos ligados ao comércio que encontraram ali uma zona vazia e um terreno consideravelmente grande para assentarem-se durante um período de instabilidade, quando os europeus passaram a invadir a região. Acredita-se que, no momento em que tais comerciantes muçulmanos passaram a dominar Achém, começou a formar-se os alicerces do Sultanato de Achém, que historicamente resistiu de forma brava às investidas colonizadoras, resistindo até o começo dos anos 1900, quando a região finalmente foi dominada, após a morte do último sultão e o fim de uma resistência que ultrapassou os 400 anos.

Além de reescrever parte da história da região, esta pesquisa também ajuda a colocar uma exclamação de riscos sísmicos na região de Achém, que ao que tudo indica não teve em 2004 o seu primeiro (e provavelmente nem o último) evento catastrófico. O grande problema, no entanto, é a ausência de tecnologias capazes de prever quando pode ocorrer o próximo tsunami. Afinal, convenhamos, saber que em algum momento dos próximos séculos a região pode ser acometida novamente por uma catástrofe desta magnitude não ajuda em muito as pessoas que vivem por lá.

 

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