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A constelação de Sagitário possui um buraco negro, segundo descoberta astronômica

Evidências de um “elo perdido” da Via Láctea foram encontradas por uma equipe internacional de astrônomos, sediada na Universidade de Manchester. Este elo se trata de um buraco negro escondido na constelação de Sagitário.

O buraco negro se encontra a uma distância de aproximadamente 26.000 anos-luz da Terra, em um aglomerado globular chamado NGC 6624. Um aglomerado globular se classifica por conter um interior denso e preenchido por milhões de estrelas antigas, ligadas umas às outras pela ação gravitacional.

A equipe, liderada pelo Dr. Benetge Perera, do Centro para Astrofísicos Jodrell Bank, na Universidade de Física e Astronomia, descobriu evidências de um pulsar de milissegundo – uma estrela de nêutrons altamente magnetizada, que emite um feixe de radiação eletromagnética –, denominado PSR B1820-30A, no aglomerado NGC 6624. Este pulsar provavelmente orbita um buraco negro de massa intermediária, no centro do aglomerado, cuja massa é tão grande, que é equivalente a 7.500 vezes o peso do nosso Sol.

O PSR B1820 30A é o primeiro pulsar a ser encontrado orbitando um buraco negro, e, até onde se sabe, é o com a localização mais próxima ao centro de um agrupamento globular. Buracos negros de massa intermediária são extremamente relevantes para o entendimento astronômico sobre o “elo perdido” entre os menores (de massa estelar) e os maiores (supermassivos) buracos negros.

Dr. Perera esclarece: “Altas densidades estelares em direção ao centro de aglomerados globulares formam um ambiente favorável para a formação de buracos negros. A detecção de buracos negros de massa intermediária é importante para a compreensão do elo perdido entre os diferentes tipos de buracos negros”.

“Geralmente pensa-se que eles poderiam ser formados pelo colapso direto de estrelas primordiais muito maciças ou fusões sucessivas de buracos negros de massa estelar e colisões descontroladas em densos aglomerados de estrelas jovens”.

O pulsar foi descoberto em 1990, usando o Telescópio Lovell, localizado em Jodrell Bank. Desde esta descoberta, a equipe tem analisado mais de 25 anos de observações do PSR B1820-30A feitas com este telescópio, junto com dados obtidos com o Nançay Radio Telescope, da França.

O professor Andrew Lyne, também da Faculdade de Física e Astronomia, explica a importância de descobrir tais pulsares: “Pulsares como o PSR B1820 30A agem como relógios impressionantemente precisos e nos permitem determinar com exatidão a que distância fica da Terra da mesma forma que os GPS funcionam. O pulsar é, portanto, muito sensível a qualquer movimento proveniente da gravidade de outros objetos maciços que estão por perto, tais como buracos negros, facilitando para nós detectá-los”.

Perera acrescentou: “Nós determinamos os parâmetros orbitais e a massa companheira do PSR B1820-30A através da medição do tempo de pulso da estrela em rotação. Em resumo, isso significa que os nossos resultados são coerentes com a ideia de o pulsar estar em órbita ao redor de um buraco negro de massa intermediária”.

“Esta descoberta fornece informações importantes para a nossa compreensão sobre como buracos negros de massa intermediária, e também os próprios aglomerados se formam e evoluem”.

Originalmente publicado em Phys.

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