Artigos científicos, notícias e muito mais.

Crença religiosa tem causas culturais, e não intuitivas ou racionais, diz estudo

Com informações de LiveScience

A religião, sem sombra de dúvidas, é um assunto bastante polêmico, independentemente de onde você estiver. Alguns inclusive dizem que “religião não se discute”, a fim de evitar confrontos e discussões. Entretanto, alguns pesquisadores decidiram fazer exatamente isso: discutir (e pesquisar) religião. E eis que surge uma pergunta bastante pertinente acerca disso tudo: seria a religião algo ligado à nossa razão? Ou à emoção? Um novo estudo sugere que nenhuma dessas duas coisas explica a ligação do ser humano com a religião – mas a cultura.

O estudo, que foi publicado na Scientific Reports no último dia 8 de novembro, e pode ser acessado aqui, desafia a visão bastante difundida entre psicólogos, que diz que a religião chega de forma intuitiva às pessoas.

“Acho que já está na hora dos psicólogos reconsiderarem sua compreensão da crença como “natural” ou “intuitiva”, e em vez disso se concentrarem em fatores como a aprendizagem cultural e social, que dão origem a ideias sobrenaturais”, escreveram os pesquisadores no estudo.

Foram realizados três testes para examinar a premissa de que a religião podia ser relacionada à intuição ou à razão humana. Em um dos experimentos, 89 peregrinos participantes do famoso “Camino de Santiago”, participaram de um teste cognitivo, conforme explica o LiveScience. Eles responderam a perguntas sobre a força de suas crenças religiosas, e o tempo que elas gastam participando de peregrinações. Eles também passaram por alguns testes de probabilidade, que avaliaram seus níveis de pensamento lógico e intuitivo. Os resultados não apontam nenhuma ligação entre a crença religiosa e o pensamento intuitivo. Além disso, não foi encontrada nenhuma relação entre o pensamento lógico e a crença em algo sobrenatural.

Outro estudo realizado pela mesma equipe envolveu 37 pessoas do Reino Unido. Elas tiveram que tentar resolver desafios matemáticos que testavam a intuição dos voluntários. Além disso, avaliavam seus próprios níveis de crença no sobrenatural. Entretanto, assim como o estudo envolvendo os peregrinos, o teste não encontrou nenhuma ligação entre o pensamento intuitivo a crença em religiões.

Como o cérebro está relacionado com a crença religiosa?

Pesquisas realizadas anteriormente indicam que o pensamento analítico (ou lógico) pode inibir as crenças no sobrenatural. Além disso, algumas pesquisas realizadas a partir de escaneamentos do cérebro indicaram que o giro frontal inferior direito (rIFG), localizado no lobo frontal do cérebro, desempenha um papel importante nessa inibição. Como exemplo, é citado um pequeno estudo de 2012, publicado na revista Social Cognitive and Affective Neuroscience, que mostrou que esta região era mais ativa em pessoas que tinham menos pensamentos sobrenaturais durante suas vidas.

A partir deste conhecimento prévio, os pesquisadores envolvidos no novo estudo colocaram eletrodos na cabeça de 90 voluntários do público em geral, ativando o rIFG dos participantes. Essa ativação levou a um pico de inibição cognitiva, mas sem alterar os níveis de crença sobrenatural dos envolvidos. Os resultados sugerem que não há uma ligação direta entre a inibição cognitiva (geralmente causada pelo pensamento analítico, mas neste caso causada por eletrodos) e os pensamentos sobrenaturais, explicam os cientistas.

“A crença religiosa provavelmente está arraigada na cultura, e não em alguma intuição primitiva”, disse o principal autor do estudo, Miguel Farias, palestrante e diretor de estudos de psicologia na Universidade de Oxford, na Inglaterra.

O estudo foi publicado on-line em 8 de novembro na revista Scientific Reports.

Comentários
Carregando...