Crescimento desenfreado de cratera na Sibéria desenterra antigas florestas

Por Fiona MacDonald | ScienceAlert
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio.

Não é nenhuma novidade para os cientistas e especialistas na área que o permafrost da Sibéria está afinando cada vez mais. Buracos e crateras surgem em toda parte na região, e a tundra parece literalmente borbulhar abaixo dos pés dos moradores locais. Entretanto, uma nova pesquisa envolvendo a cratera chamada de “porta para o submundo” mostrou que ela está crescendo tão rapidamente que cada vez mais está desenterrando florestas, carcaças e registros climáticos de até 200 mil anos atrás.

A megacratera de Batagaika é a maior do seu tipo, com 1km de comprimento e 86 metros de profundidade, mas o mais impressionante de tudo é que ela continua crescendo com o tempo.

Uma pesquisa apresentada por Frank Günther, do Instituto Alfred Wegener, da Alemanha, no ano passado, revelou que as paredes da cratera cresceram uma média de 10 metros por ano na última década. E nos anos mais quentes, esse crescimento foi de até 30 metros. A equipe sugere também que as paredes laterais da cratera podem atingir um vale vizinho nos próximos meses, à medida em que a temperatura na região aumentar. Isso, segundo eles, poderia causar um colapso ainda maior de terra.

Günther, em entrevista à BBC, explicou que nos últimos anos o crescimento não acelerou nem desacelerou, mas se manteve constante. Isso, de acordo com ele, significa que a cratera se torna cada vez mais profunda ao passar do tempo.
Isso não é uma boa notícia para a mudança climática. A cratera começou depois que uma grande parte de uma floresta foi exterminada nos anos 60. Como o solo não contava mais com a sombra das árvores nos meses mais quentes, ele acabou aquecendo mais que o normal e derretendo o permafrost. Grandes inundações registradas em 2008 pioraram ainda mais a situação, contribuindo para o tamanho exacerbado da cratera.

Climatologia Geográfica
Alexander Gabyshev, Research Institute of Applied Ecology of the North

A instabilidade na região não é perigosa apenas para os moradores locais, mas também existem preocupações no sentido de que, à medida em que a cratera se tornar maior e mais profunda, ela irá liberar estoques de carbono que ficaram selados por milhares de anos. Segundo Günther, estimativas dão conta de que o carbono armazenado no permafrost se apresenta na mesma quantidade que o carbono existente na atmosfera.

À medida em que a cratera continua se aquecendo, esses gases de efeito estufa podem acabar sendo liberados na atmosfera, causando ainda mais aquecimento.

Mas não vamos nos apegar apenas nos pontos negativos.

Um estudo publicado no último mês na Quaternary Research mostrou que as camadas expostas pela cratera podem revelar 200 mil anos de dados climáticos, bem como restos preservados de florestas enterradas há muito tempo; exemplares de polens antiquíssimos e até mesmo restos congelados de um mamute, de um boi-almiscarado e um cavalo de 4400 anos de idade.

Climatologia Geográfica
Restos de árvores encontrados na cratera. / Julian Murton

A pesquisa foi liderada por Julian Murton, da Universidade de Sussex, que diz que o sedimento exposto pode ser útil para o entendimento de como o clima mudou na Sibéria em relação ao passado. Além disso, a partir dos materiais encontrados é possível estimar como será o clima na região no futuro. É interessante ressaltar que o clima na Sibéria é um dos mais misteriosos na Terra até hoje.

Mas ainda existem muitas pesquisas a serem feitas sobre o tema, já que as datas exatas dos sedimentos encontrados ainda são muito difíceis de serem indicadas. Julian pretende cavar novos buracos na região para analisar mais exemplares de sedimentos, e alcançar um entendimento mais preciso do que aconteceu no passado.

A pesquisa foi publicado no Quaternary Research.

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