Criança nascida com HIV está livre do vírus e há quase 9 anos sem medicamentos

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A existência de medicamentos anti-retrovirais modernos significa que o HIV pode ser efetivamente mantido à distância, mas os casos de remissão total são incrivelmente raros. Agora, os médicos têm um novo relatório.

Uma criança sul-africana de 9 anos, que foi diagnosticada com HIV logo após o nascimento, está em remissão há oito anos e meio, dizem cientistas – mesmo que ela tenha recebido drogas anti-HIV por um curto período de tempo durante a infância.

É apenas o terceiro caso envolvendo crianças nos últimos anos, e dá nova esperança de que o tratamento precoce possa levar a uma cura virtual para bebês infectados pelo HIV.

“É necessário um estudo mais aprofundado para aprender a induzir a remissão prolongada do HIV em bebês infectados”, diz Anthony S. Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), que financiou o ensaio clínico. “No entanto, este novo caso fortalece a esperança de que ao tratar as crianças infectadas pelo HIV durante um breve período que começa na infância, é possível poupar-lhes o ônus da terapia ao longo da vida e as consequências para a saúde a longo prazo tipicamente associadas ao HIV”.

No estudo, os bebês infectados com HIV foram aleatoriamente designados para receber terapia anti-retroviral precoce (ART).

A criança em questão, cuja identidade está sendo protegida, recebeu tratamento precoce por 40 semanas, juntamente com outros 142 bebês.

Antes do início do tratamento, o sangue da criança apresentou níveis muito elevados de HIV. A criança começou a ART com 9 semanas de idade e, no final do período de tratamento, os resultados indicaram que a carga viral foi suprimida a níveis indetectáveis.

Nos próximos oito anos, a criança não recebeu nenhum medicamento anti-retroviral, mas análises de amostras de sangue tomadas durante o período intermediário mostrou que o vírus não havia retornado.

Isso não significava que ela tivesse sido curada. Quando os pesquisadores realizaram uma análise minuciosa do sangue da criança aos nove anos e meio, eles detectaram um reservatório de vírus integrado em uma pequena proporção de células imunes – chamadas de HIV latente – a única evidência restante de qualquer infecção pelo HIV.

Embora o caso tenha semelhanças com o de um bebê dos EUA – cuja remissão durou 27 meses antes do retorno do vírus -, os médicos dizem que nunca viram uma terapia tão finita e controlada entregar resultados como este antes.

“Para nosso conhecimento, este é o primeiro caso relatado de controle de HIV em uma criança matriculada em ensaio randomizado de interrupção após o tratamento no início da infância”, diz um dos pesquisadores principais, Avy Violari, da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul.

Além disso, a equipe espera que novas pesquisas possam destacar detalhes sobre a fisiologia da criança e o que levou a um tratamento tão bem sucedido – especialmente porque eles não pensam que a terapia inicial possa explicar o resultado.

Ao mesmo tempo, a análise da equipe sugere que a criança não apresenta características genéticas associadas ao controle espontâneo do HIV sem a terapia – o que significa que é provável que de alguma forma a interação entre o tratamento curto e precoce e seu corpo puderam induzir seu sistema imunológico a controlar a replicação do HIV, criando uma remissão de longa duração e esperançosamente permanente.

Traduzido e adaptado de Science Alert.

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