Crianças não vacinadas devem frequentar creches?

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Originalmente por George Dvorsky | Gizmodo
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio.

Recentemente, o Primeiro Ministro da Austrália, Malcolm Turnbull, causou certa controvérsia no país. Isso porque ele está incentivando os estados e territórios australianos a não deixar que crianças não vacinadas frequentem creches. Para os especialistas, entretanto, essa é uma ideia que pode ter um lado positivo. A medida, de acordo com a ABC, possui o aval da comunidade médica do país, e está sendo apoiada até mesmo pela oposição política.

Turnbull diz que a Austrália tem feito progressos no sentido de ampliar o alcance da vacinação, mas que pode fazer melhor. Atualmente, estima-se que 5% das crianças australianas não tenham sido vacinadas. Em uma pesquisa realizada recentemente no país, um a cada três entrevistados se diziam preocupado sobre a questão das vacinações, e cerca de 10% afirmaram que as vacinas podem causar autismo (não existe nenhuma ligação causal que comprove essa hipótese). Em 2010, o Lancet confirmou que um estudo de 1998, que ligava as vacinas ao autismo, era controverso. Mesmo assim, a influência da pesquisa parece ter perdido o controle.

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Créditos: AP.

Ainda que a medida adotada pelos australianos possa parecer pesada demais, ela tem o apoio de especialistas. Entre eles, está Natasha Crowcroft, chefe de pesquisas aplicadas de imunidade na Public Health Ontario, no Canadá. Ela acredita que os australianos estão simplesmente tentando proteger um grupo particularmente vulnerável. “Se você pretende colocar seus filhos em uma creche, você espera que eles estejam seguros por lá”, disse Crowcroft ao Gizmodo.

Crowcroft acredita que a maré está virando para aqueles que não apoiam as vacinas, e que as pessoas estão começando a entender que não é aceitável que alguns pais tenham a opção de não vacinar seus filhos. “Nós não escolhemos parar no semáforo. Todos temos de parar no vermelho. Não é uma escolha individual onde dizemos ‘Ah, eu acho que vou parar no vermelho’. Se você continuar andando quando o sinal estiver fechado, você vai se colocar em risco, bem como às outras pessoas. É o mesmo com as vacinas”, explicou.

Em Ontário, o governo optou por uma abordagem um pouco diferente, e está ameaçando colocar aqueles que se opõem às vacinas em uma espécie de sessão educacional obrigatória. Crowcroft, no entanto, diz que a educação talvez não seja tudo. “Não sei se educar os pais é o modelo de sucesso. Cada está ficando mais claro que tentar educar pessoas com certo tipo de visão do mundo não muda muita coisa”, afirmou.

A opinião da especialista concorda com o que diz um estudo realizado por Tom Stafford, cientista cognitivo da Universidade de Sheffield. Stafford concluiu com sua pesquisa que mostrar dados científicos para os que não acreditam nas vacinas apenas faz com que eles fiquem mais convictos de suas crenças. “Alguns podem dizer que é uma questão de direito, ou de liberdade, mas em países com cuidados de saúde financiados por impostos – como a Austrália – esse argumento perde peso. Isso porque o sistema, em última análise, cuida da sua saúde”, diz Brown. “Sua decisão sobre vacinar ou não tem aspectos de direitos pessoais, mas entra em conflito com a manutenção de saúde coletiva”.

É difícil traçar as consequências dessa decisão para o Brasil e o resto do mundo. Entretanto, é bem provável que todos estejam com os olhos abertos para os resultados que serão alcançados pelo governo australiano na prevenção de doenças.

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