Descoberta dos fósseis mais antigos da Terra pode motivar busca por vida extraterrestre

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Por Irene Klotz | Space

Traduzido e adaptado por Matheus Gonçalves

 

Pesquisadores anunciaram recentemente a descoberta de restos fossilizados que podem ser o sinal mais antigo de vida na Terra. Este achado também tem implicações na busca por vida em outros planetas.

A análise de fragmentos de rochas de uma parte primitiva da costa oceânica da Terra revelou tubos e filamentos de tamanho micrométrico que podem se tratar de restos de bactérias que se alimentavam de ferro e viveram entre 3,8 e 4,3 bilhões de anos atrás. Acredita-se que as bactérias viviam em respiradouros hidrotermais no fundo do oceano, uma vez que as estruturas fossilizadas são parecidas com as bactérias oxidantes de ferro perto de saídas hidrotermais atualmente.

A descoberta, relatada na revista Nature, empurra o primeiro registro de vida na Terra para apenas algumas centenas de milhares de anos após a formação do planeta. Naquela época, a Terra provavelmente não era o único planeta no sistema solar que poderia ter suportado alguma forma de vida.

Os cientistas têm acumulado fortes evidências de que Marte também já teve grandes quantidades de água – talvez até mesmo oceanos –, assim como uma atmosfera mais espessa e todos os ingredientes químicos necessários para o desenvolvimento de vida microbiana.

“Diferentemente da Terra e de Vênus, existem áreas significativas na superfície antiga de Marte que são realmente bem preservadas e fornecem ótimos lugares para procurar ambientes habitáveis no passado e as bioassinaturas que eles podem conter”, disse o geólogo planetário Jeffrey Johnson.

Se a descoberta sobreviver às revisões de micropaleontologistas, então fornece uma solução análoga para sistemas sedimentares em Marte, onde vemos sílica e óxido de ferro, acrescenta John Grotzinger, geólogo do Instituto de Tecnologia da Califórnia.

Grotzinger, responsável pela famosa missão da NASA em Marte, Curiosity, observa que o rover observou estas condições no que é conhecido como “formação de Murray”, uma camada geológica que se formou a partir de depósitos de lama. “Isso parece bom para Marte”, acrescentou Grotzinger.

Descobrir que a vida prosperou em respiradouros hidrotermais também levanta a perspectiva de vida em oceanos enterrados sob grossas camadas de gelo que cobrem várias das Luas de Júpiter, Saturno e outros planetas gigantes do sistema solar.

As luas Europa (Júpiter) e Encélado (Saturno), por exemplo, contém oceanos em contato com núcleos rochosos – o mesmo tipo de condições químicas e ambientais que podem ter causado o surgimento da vida na Terra.

“Dada esta nova evidência, os sistemas de ventilação submarino-hidrotermais devem ser vistos como locais potenciais para a origem da vida na Terra, e, portanto, alvos primários na busca de vida extraterrestre”, disse Matthew Dodd, no artigo da Nature.

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