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Dietas sem glúten não reduzem o risco de doença cardíaca, afirma estudo

Dietas livres de glúten são muito populares nos dias de hoje, mas um estudo descobriu que evitar o glúten não diminui o risco de ter uma doença cardíaca. Ao contrário, pode até aumentá-lo.

Os pesquisadores afirmam que estas dietas podem acarretar em preocupações para a saúde, porque pessoas que eliminam o glúten totalmente de suas dietas tendem a reduzir a ingestão de grãos integrais – que estão relacionados à redução do risco de doença cardíaca.

Por esta razão, “o incentivo de dietas sem glúten entre pessoas sem doença celíaca não deve ser encorajada”, concluíram os pesquisadores em um artigo, publicado no dia 2 de maio, na revista médica BMJ.

O glúten é uma proteína encontrada no trigo, no centeio e na cevada. A doença celíaca é uma condição autoimune, através da qual a proteína desencadeia uma reação autoimune que danifica o revestimento do intestino delgado.

Para pessoas que sofrem de sensibilidade ao glúten – o que significa que não têm doença celíaca, mas experimentam dor abdominal e outros problemas – é razoável restringir a ingestão do glúten, mas com algumas precauções, disse o pesquisador Andrew T. Chan, professor associado de medicina na Harvard Medical School em Boston. “É importante certificar-se de que esta [restrição de glúten] seja equilibrada com a ingestão de grãos integrais sem glúten, uma vez que estes estão associados a um menor risco de doença cardíaca”, disse Chan.

Algumas pessoas sem a condição adotam a dieta na crença de sejam mais saudáveis, porém nenhum estudo de longo prazo examinou se o glúten traz riscos de doenças crônicas, como doença cardíaca coronária, em pessoas sem doença celíaca.

No estudo atual, os pesquisadores analisaram informações de uma longa pesquisa, realizada com mais de 110 mil profissionais de saúde dos EUA. Os participantes respondiam perguntas periodicamente, durante um período de 26 anos, sobre os tipos de alimentos que consumiam. Com base nesses questionários, os pesquisadores calcularam quanto de glúten os participantes consumiam em suas dietas. Eles também coletaram dados para saber se algum dos participantes sofreu um ataque cardíaco durante o período do estudo, para obter dados quanto ao desenvolvimento da doença cardíaca coronária.

Quando os pesquisadores dividiram os participantes em cinco grupos com base na quantidade de glúten que comiam, eles descobriram que aqueles que comiam mais glúten não tinham maior risco de ataque cardíaco do que aqueles que comiam menos.

Os pesquisadores também descobriram que a ingestão de glúten na verdade inicialmente pareceu estar ligada a um menor risco de ataque cardíaco. Mas esta ligação não era devido ao consumo de glúten em si, em vez disso, era devido ao consumo de grãos integrais associados à ingestão de glúten.

“Essas descobertas não dão suporte a promoção de uma dieta sem glúten com o objetivo de reduzir o risco de doença cardíaca coronária”, escreveram os pesquisadores em seus trabalhos.

Os pesquisadores perceberam que os participantes não foram questionados quanto a seguir uma dieta livre de glúten especificamente, mas o consumo de glúten foi calculado com base na proporção estimada de glúten no trigo, centeio e cevada. Os pesquisadores também observaram que não conseguiram determinar se vestígios de glúten estavam presentes em certos alimentos, como o molho de soja, mas isso provavelmente teria um efeito muito pequeno no consumo total de glúten das pessoas, disseram eles.

Originalmente publicado em Live Science.

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