DNA mais antigo da África lança luz sobre os mistérios de uma cultura antiga

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Os cientistas sequenciaram com sucesso genes de pessoas que viveram na África há cerca de 15.000 anos – e o que descobriram lança nova luz sobre o modo como as comunidades se movimentaram e interagiram desde o final da Idade da Pedra.

Entender a história do norte da África é crucial para mapear como os seres humanos se espalharam pelo continente e pelo resto do mundo, mas até agora os especialistas têm pouco material genético para fazer referência.

Normalmente, o DNA de restos antigos seria degradado, mas os pesquisadores aplicaram alguns métodos de laboratório e novas técnicas de análise para recuperar antigos genomas, pelo menos em parte, dos restos mortais de nove pessoas que morreram no Marrocos aproximadamente 15.000 anos atrás.

Os novos dados de DNA são, de fato, a mais antiga evidência de DNA humano já totalmente analisada na África, e sugere que os seres humanos do norte da África, da África subsaariana e do Oriente Médio interagiam muito antes do que pensávamos.

“Uma melhor compreensão da história do norte da África é fundamental para entender a história de nossa espécie”, diz um dos integrantes da equipe, Saaïd Amzazi, da Universidade Mohammed V, no Marrocos.

O noroeste da África tem o mar Mediterrâneo ao norte e o deserto do Saara ao sul – ambas barreiras razoavelmente eficazes contra populações que se espalhariam dezenas de milhares de anos atrás.

Mas as semelhanças de DNA entre as amostras encontradas no Marrocos e os dados genéticos da África Subsaariana e dos habitantes do Mediterrâneo Oriental sugerem que talvez as pessoas não estivessem tão separadas quanto os cientistas pensavam.

Embora semelhantes a essas outras comunidades, os marcadores genéticos encontrados nas pessoas de Taforalt não correspondiam completamente a nenhum genoma registrado.

Isso deixa os especialistas adivinhando de onde exatamente essa população se originou.

Também não havia ligação genética com antigos europeus da Sicília ou do sul da Espanha, algo sobre o que os historiadores se perguntaram.

Parece que as pessoas dessas áreas não estavam se misturando neste momento – pelo menos com base nessas amostras.

Os pesquisadores se concentraram em um local de enterro em Grotte des Pigeons, perto da aldeia marroquina de Taforalt. Na verdade, é o mais antigo cemitério conhecido no mundo, absolutamente rico para pesquisadores interessados ​​nas características genéticas dos povos antigos.

“Grotte des Pigeons é um local crucial para entender a história humana do noroeste da África, uma vez que os humanos modernos habitavam essa caverna intensivamente durante períodos prolongados em toda a Idade da Pedra”, diz uma das pesquisadoras, Louise Humphrey, do Museu de História Natural no Reino Unido.

As comunidades da Idade da Pedra que viveram aqui são consideradas as primeiras a usar pequenas ferramentas de pedra. Isso foi antes da revolução agrícola no norte da África, que aconteceu há cerca de 10 mil anos.

Outras pesquisas poderiam ajudar os especialistas a descobrir mais sobre as linhagens das pessoas que viveram em Taforalt, mas já estamos vendo maneiras pelas quais a análise genética moderna pode ser usada para esclarecer como as pessoas se movimentaram pelo planeta milhares de anos atrás.

A pesquisa foi publicada na Science.

Traduzido e adaptado de Science Alert.

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