E se vampiros fossem pessoas com doença sanguínea?

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O livro Sangue e Gelo, obra de ficção do escritor Robert Masello, nos apresenta um novo ponto de vista sobre a mitologia dos vampiros. Na obra os personagens com características vampirescas são descritos como portadores de uma doença sanguínea.

Mas como seria essa doença?

No sangue do portador haveria uma concentração de fagócitos fora de escala, mas, em vez de eliminarem só bactérias, partículas estranhas e detritos celulares, os fagócitos devorariam também os glóbulos vermelhos. O sangue desses seres não tem apenas um número reduzido de células vermelhas, eles primeiro consomem as próprias células vermelhas e depois as outras obtidas de fontes externas. Fazendo uma comparação, é como se criaturas de sangue frio tentassem se tornar seres de sangue quente, como se répteis tentassem imitar mamíferos ao ingerir hemoglobina. Só que, como isso não funciona, eles têm que renovar o estoque.

A principio, o doente poderia crer que estivesse com anemia, mas ela ficaria tão intensa que ele tentaria curá-la com o que estivesse disponível, como um viciado doido por uma dose de qualquer droga, ou seja, buscaria por sangue em qualquer lugar que tivesse acesso, atacando outros seres humanos por exemplo.

Mas como conseguiriam sobreviver sem os glóbulos vermelhos para carregar o oxigênio pela corrente sanguínea? Os órgãos parariam de funcionar, os músculos e outros tecidos apodreceriam por ficarem sem combustível?

O que acontece é que, por exemplo, haveria a sensação de falta de oxigênio, como se os pulmões não se enchessem de ar, por mais que respirasse fundo e precisaria piscar muito para clarear a visão. O ponto é que esse sangue tem um diferencial importante, possui uma capacidade de recuperação fantástica por apresentar uma concentração de fagócitos por milímetro maior do que do “sangue normal”, que sendo células que consomem partículas estranhas ou hostis, agem como uma pequena equipe de limpeza. Logo, se combinarmos essa capacidade com a habilidade de extrair o que for preciso de outras fontes externas, temos um belo sistema autorregenerativo. Assim, teoricamente, desde que o estoque de sangue seja
periodicamente renovado com novo o hospedeiro pode viver eternamente.

Tudo isso trata-se de uma obra de ficção, é claro, mas não deixa de ser divertido e interessante associar um ser mitológico à processos biológicos. E parando para pensar, com quais outras criaturas fantásticas podemos “brincar” dessa forma?

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