Essa criatura marinha é tão estranha que os cientistas não conseguem entendê-la completamente

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Por Bec Crew | ScienceAlert
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio.

Um antigo mistério da ciência foi resolvido no último ano. Esta criatura que você vê na foto acima finalmente foi classificada como um vertebrado, depois de anos desafiando classificações. Agora, mais pesquisadores entraram na briga, dizendo que a conclusão está equivocada, já que não há como esse animal ser um peixe, o que significa que ainda não temos ideia do que ele é.

Apelidado de “Monstro Tully”, essa criatura pertence ao gênero Tullimonstrum, e acredita-se que tenha habitado as águas costeiras do Leste dos EUA há cerca de 300 milhões de anos. Uma única espécie deste gênero é conhecida: T. gregarium. E os fósseis desta criatura foram encontrados somente no estado do Illinois. Mas eles eram claramente abundantes nesta região, com centenas de fósseis podendo ser vistos no Field Museum, em Chicago.

Como você pode ver na reconstrução abaixo, o Monstro Tully possui barbatanas como outros peixes, olhos semelhantes aos de caranguejos e uma mandíbula intimidadora.

Essa “desordem” em suas partes do corpo já foram comparadas com moluscos, artrópodes e minhocas. E mais recentemente, com vertebrados como lampreias. “Esse animal não se encaixa facilmente em uma classificação porque é muito esquisito”, disse Lauren Sallan, da Universidade da Pensilvânia, uma das autoras da análise mais recente. O animal foi descoberto e citado pela primeira vez em 1955, pelo colecionador de fósseis amador Francis Tully. Depois disso, a criatura foi analisada e investigada por anos, em uma tentativa de tentar entendê-la. “Eu soube (no momento da descoberta) que nunca tinha visto algo como isso”, disse Tully alguns anos depois de fazer a descoberta, afirmando ter consultado vários especialistas no assunto.

Por muitos anos, pesquisadores assumiram que a criatura é um tipo de molusco, e ainda que essa explicação tenha sido aceita por algum tempo, dois estudos publicados em março de 2016 (aqui e aqui) diferiram da constatação.

Uma equipe da Universidade Yale, liderada pela paleobióloga Victoria McCoy, afirmou que a linha que cruza o corpo da criatura não é um estômago, como pesquisas anteriores haviam sugerido, mas uma notocorda – uma haste que forma a base dos ossos das costas em vertebrados. A equipe também encontrou evidências de brânquias em alguns dos cerca de 1200 exemplares analisados, o que fez com que eles se assemelhassem ainda mais com peixes. Cientistas disseram que esse recurso provavelmente passou despercebido por outros pesquisadores porque, por alguma razão, essas criaturas tendem a morrer de frente ou de costas, e não de lado. Um segundo estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Leicester, no Reino Unido, também chegou à conclusão de que o Monstro Tully era um vertebrado. Uma microscopia eletrônica de varredura revelou estruturas chamadas melanossomas nos olhos dos animais.

A equipe argumentou que isso significava que a criatura tinha olhos complexos, o que de acordo com eles tornava mais possível que ele fosse um vertebrado. Mas agora Sallan e seus colegas dizem que nada disso está certo.

“É importante incorporar todas as linhas de evidência ao considerar fósseis enigmáticos: anatomia, preservação e comparações”, disse um membro da equipe, Sam Giles, da Universidade de Oxford, do Reino Unido. “Ao aplicar esse padrão ao Monstro de Tully, temos fortes argumentos contra a classificação de vertebrado”.

Os pesquisadores argumentam que as conclusões da equipe de Yale são baseadas em um mal-entendido de como as criaturas se fossilizam no fundo do oceano – você geralmente vê os tecidos moles preservados e não estruturas internas, como uma notocorda. “Nas rochas marinhas, você só vê tecidos moles, você não vê estruturas internas preservadas”, diz Sallan. A equipe também argumenta que ter melanossomas em seus olhos – estruturas que produzem e armazenam melanina – não é evidência suficiente para chamar o Monstro de Tully de vertebrado, porque muitos invertebrados evoluíram para ter olhos extraordinariamente complexos. E quando eles examinaram esses olhos fossilizados, eles concluíram que os Monstros de Tully poderiam ter desenvolvido um olho que se assemelhava a um olho pertencente a um vertebrado”, diz Sallan.

Neste estudo, os pesquisadores estão trazendo mais perguntas do que respostas, porque ainda que estão certos que o Monstro de Tully não é um vertebrado, eles ainda não sabem dizer com certeza o que ele é, de fato. E embora devamos ter em mente que este estudo é apenas uma interpretação da equipe contra a de outra, é importante na ciência que a evidência seja definitiva antes de saltar para qualquer conclusão. De acordo com Sallan, “Para fazer afirmações extraordinárias, você precisa de provas extraordinárias”.

O estudo foi publicado em Palaeontology.

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