Explosão de supernova está fazendo chover materiais radioativos na Terra

Duas semanas atrás, os pesquisadores descobriram detritos radioativos de uma série de explosões de supernovas maciças na parte inferior dos nossos maiores oceanos, que remontam a entre 3,2 e 1,7 milhões de anos atrás. Isso em si foi muito chocante, mas agora temos novas evidências de que pedaços de estrelas detonadas ainda estão chovendo na Terra até hoje.

Graças às observações feitas pela nave espacial ACE, da NASA, os cientistas agora suspeitam que quando uma estrela explode relativamente perto da Terra, ela deixa para trás um tipo raro de metal radioativo chamado ferro-60. No entanto, quando uma segunda estrela explode, ela acelera todos esses detritos para uma velocidade próxima à da luz. Acontece que tem chovido em nosso planeta desde então.

Assim como na Terra, tudo no espaço deve morrer, incluindo as bolas maciças de fogo que chamamos de estrelas. Quando uma estrela massiva morre, ela vem com um estrondo – a maior explosão no universo conhecido – o que chamamos de supernova.

Existem dois tipos de supernova: uma ocorre quando um sistema binário de estrelas se canibalizam, com uma estrela roubando tanta matéria de sua companheira que ela explode; e o outro ocorre no final do tempo de vida de uma única estrela massiva.

Então, o primeiro tipo é incrivelmente assustador, e o outro é basicamente a versão de uma estrela morrendo “pacificamente” na cama (mas com mais explosões).

A versão do “morrer pacificamente na cama” começa quando uma estrela se torna tão velha e seu núcleo fica tão pesado que ela entra em colapso sobre si mesma, isso é, o núcleo fica tão pesado que não pode suportar sua própria força gravitacional. Vale lembrar que isso não acontece com todas as estrelas, apenas as maiores, ou seja, o nosso Sol não terá uma morte desse tipo.

Ferro-60 a partir de estrelas em explosão foi encontrado na crosta da Terra, abaixo do fundo do oceano, e também sobre a superfície da Lua. E graças a meia-vida do ferro-60 de 2,6 milhões de anos, os cientistas reduziram o momento da sua chegada para entre 3,2 e 1,7 milhões de anos atrás.

Mas novas evidências sugerem que o ferro-60 não acabou de bombardear a Terra. Um novo estudo publicado na revista Science descreve como a nave espacial Ace, da NASA, detectou ferro-60 flutuando no espaço ao longo dos últimos 17 anos, o que significa “novos” detritos ainda estão vindo para nosso planeta.

De acordo com Grush, a nave espacial ACE encontrou ferro-60 a uma taxa de cerca de um núcleo por ano, o que lhe dá uma idéia do quão assustador isso pode parecer.

Mas muito pode ser aprendido com esses núcleos únicos  – os pesquisadores foram capazes de confirmar que a sua origem encontra-se em supernovas recentes e nas proximidades.

Pensa-se que estas estrelas morreram no aglomerado de estrelas Scorpius-Centaurus, localizado a mais de 380 anos-luz da Terra.

Embora as partículas de ferro-60 têm uma origem diferente, todas as novas detecções apontam para o mesmo cenário – explosões de supernovas nos últimos milhões de anos nas proximidades da Terra.

Todavia, nós não temos muito com o que se preocupar – a menos que estes bombardeamentos constantes comecem a brincar com o nosso clima – mas é um bom lembrete de que, enquanto nós podemos nos sentir seguros e confortáveis em nosso planeta natal perfeitamente habitável, nós pertencemos a um movimentado bairro cósmico.

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