Falta de diferenciação genética pode levar espécies à extinção

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Um estudo do pesquisador Pedro Manoel Galetti Junior, do Laboratório de Biodiversidade Molecular e Conservação, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), analisou a capacidade de alguns animais, conhecidos como “predadores de topo de cadeia alimentar” tem de sobreviver em longo prazo, em função da variedade genética deles. A pesquisa se enquadra em um cenário de intensificação da precariedade das condições de vida desses animais, que são onças, lobos-guarás e suçuaranas, devido a redução das áreas de mata necessárias para o desenvolvimento da vida desses bichos. Isso é um fator diretamente ligado a possibilidade de extinção dos predadores de topo de cadeia, ou seja, dos grandes carnívoros.

A pesquisa analisou o DNA de lobos-guarás e suçuaranas e foi realizada no nordeste do estado de São Paulo. As mostras foram coletadas através das fezes dos animais e mostrou que, entre os lobos-guarás a variedade genética é razoável, porém mostraram também que os animais estudados possuem grau de parentesco. Ou seja, não há muita diversidade genética para reprodução, o que pode trazer problemas a longo prazo no que diz respeito ao bem estar e perpetuação da espécie. Por outro lado, as suçuaranas mostraram ter um perfil genético mais variado, em relação aos lobos-guarás. A explicação é que esses animais tem a característica de se deslocar entre grandes distâncias, aumentando assim a probabilidade de encontrar animais com maior diferenciação genética.

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Ao contrário das suçuaranas, animais mais generalistas, a destruição de áreas que são habitat de animais que possuem uma dieta menos abrangente é que preocupa mais os pesquisadores. Um desses é a onça-pintada, felino que não apresenta a característica de percorrer grandes distâncias em busca de alimentos e sobrevivências. Os pesquisadores relataram que durante a coleta de material para análise em laboratório, não foram encontradas fezes de onça-pintada, levando a crer que o animal esteja extinto na região pesquisada.

Um dos fatores que podem ter colaborado para o cenário, segundo o estudo, é o avanço da cultura de plantio de cana-de-açúcar. Só no Brasil, em meio século, a área de cultivo passou de 1,4 para sete milhões de hectares plantados. Além disso, a cultura do eucalipto e pasto, sem contar na expansão territorial dos grandes centros urbanos tem contribuído e muito para a degradação ambiental dos locais analisados. O lobo-guará e a suçuarana são animais que integram a Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, juntamente com outras 1.173 espécies da fauna brasileira. [Canal Ciência]

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