Forma de vida ‘estranha’ é encontrada em cavernas de cristais no México

31

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, inscreva-se agora.

Por Bec Crew | ScienceAlert
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio.

Não apenas as descobertas de animais gigantes, como os dinossauros, são impressionantes e relevantes para a ciência. Desta vez, estranhos micróbios foram encontrados dentro da Mina de Naica, no México – uma caverna repleta de cristais. Os pesquisadores suspeitam que essas formas de vida estejam vivendo por lá há cerca de 50 mil anos. De acordo com os responsáveis pela descoberta, os micróbios parecem ter ficado ‘adormecidos’ por muitos anos, sobrevivendo em pequenas aglomerações de líquido entre as estruturas de cristal. Agora, os cientistas conseguiram extraí-los e acordá-los. “Esses organismos são extraordinários”, disse a astrobióloga Penelope Boston, diretora do Instituto de Astrobiologia da NASA, em um encontro anual da Associação Americana de Avanços em Ciência (AAAS), em Boston.

O que ajuda a tornar essa descoberta ainda mais incrível são as temperaturas e condições inóspitas do local. As cavernas da Mina de Naica podem ser muito bonitas, mas com temperaturas que alcançam os 45-65ºC, e com níveis de umidade de mais de 99%, trata-se de um dos lugares mais inóspitos do planeta.

Não só as temperaturas são extremamente altas, mas o ambiente tão é muito ácido, e confinado à escuridão, 300 metros abaixo da superfície. Desta forma, os micróbios não podem contar com o fotossíntese. Em vez disso, realizam a quimiossíntese, utilizando minerais como o ferro e enxofre, presentes nos cristais, que possuem mais de 11 metros de comprimento, e são datados de meio milhão de anos atrás.

A equipe de Penelope Boston não foi a primeira a descobrir vida no local. Em 2013, uma exploração em Naica registrou criaturas vivendo no completo sistema da caverna. Mas quando Boston e sua equipe extraíram líquido das fendas entre os cristais e o enviaram para análise, eles perceberam que não apenas havia vida ali, mas aquilo era diferente de tudo o que já haviam visto em registros científicos.

Eles suspeitam que as criaturas vivem no interior da caverna há cerca de 10 mil a 50 mil anos. De acordo com Boston, que concedeu entrevista para Jonathan Amos, da BBC News, os organismos encontrados não se parecem com nenhuma outra criatura existente nas bases de dados genéticas. O mais extraordinário nisso tudo talvez seja o fato de que os pesquisadores foram capazes de ‘reviver’ uma parte dos micróbios, e criar culturas a partir deles em laboratório.

Entretanto, a descoberta ainda está para ser publicada cientificamente, o que quer dizer que até que outros cientistas tenham a chance de examinar a metodologia e as descobertas, não podemos dizer que os resultados são definitivos. A equipe também precisa convencer a comunidade científica de que as descobertas não são o resultado da contaminação. Como esses micróbios são invisíveis a olho nu, é possível que tenham se anexado aos equipamentos utilizados durante as pesquisas na caverna. “Eu acredito que a presença de micróbios presos nos cristais de Naica é possível, à princípio”, disse Purificación López-Garcia, do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, que fez parte das descobertas de 2013, em entrevista à National Geographic. “Entretanto, a contaminação durante as escavações constituem um sério risco. Eu sou muito cética sobre a veracidade desta descoberta até que eu veja as evidências”, concluiu.

Por outro lado, o microbiólogo Brent Christner, da Universidade da Flórida, que não esteve envolvido na pesquisa, disse que as afirmações do novo estudo não são tão absurdas. “Reviver micróbios de exemplares de 10 mil a 50 mil anos não é algo tão estranho tendo como base registros anteriores de ressuscitações em materiais geológicos de centenas de milhares de anos atrás”, disse Christner ao National Geographic.

Boston e sua equipe dizem ter tomado todas as precauções para garantir que os equipamentos fossem esterilizados, e citam o fato de que as criaturas encontrados nos cristais são similares, mas não idênticas àquelas que vivem em outros lugares da caverna.

Apenas com as revisões e consequente publicação do estudo é que os resultados poderão ser confirmados. Entretanto, caso esses micróbios realmente vivem sob essas condições, isso pode dar uma ideia de como pode se apresentar a vida em outras localidades no espaço.

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, inscreva-se agora.

Comentários
Carregando...