Fumo passivo pode danificar seus órgãos, diz pesquisa

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Originalmente por Mike McRae | ScienceAlert.

Não é novidade para ninguém que o cigarro não faz bem algum para a saúde. Pelo contrário, se você fuma com frequência, provavelmente enfrentará problemas de saúde no futuro (ou já os enfrenta). Fato é que mesmo aqueles não possuem o hábito, mas vivem perto de fumantes, também podem estar em risco.

O risco ligado aos “fumantes passivos” são estudados desde 1980, e agora pesquisadores descobriram que os resquícios que o cigarro deixa em nossas roupas e móveis podem também afetar nossa saúde.

Os fumantes passivos correm riscos de desenvolver doenças coronárias, câncer pulmonar, asma, infecções no ouvido, entre outras. Justamente por isso, vários governos ao redor do mundo já possuem leis que proíbem as pessoas de fumar em ambientes públicos.

A questão é que, mesmo depois que o fumante já deixou o ambiente, e a fumaça do cigarro supostamente já não está mais lá, seus resquícios ainda podem ser prejudiciais. No “fumo passivo”, as partículas que saem diretamente do tabaco que está queimando e da fumaça exalada tendem a se acumular em superfícies como roupas, móveis e cabelo. Qualquer um que costume passar algum tempo próximo a um fumante sabe que o cheiro do cigarro permanece na roupa por bastante tempo. Essas partículas, entretanto, podem ser bem mais prejudiciais do que você imagina. Além de terem um odor nada agradável, elas podem reagir com o ar formando novos carcinógenos. Como você pode imaginar, não leva muito tempo para que esses carcinógenos comecem a prejudicar a sua saúde.

“Nosso objetivo é determinar a quantidade mínima de tempo necessária para que essas partículas causem alterações fisiológicas em ratos”, disse a pesquisadora Manuela Martins-Green, da Universidade da Califórnia.

Usando vários materiais dosados com fumaça de cigarro em ratos, a equipe de pesquisa foi capaz de imitar os efeitos do fumo passivo. Em seis meses, os ratos foram analisados. Os pesquisadores atentaram a mudanças hormonais, resistência à insulina, efeitos metabólicos, e quaisquer sinais de dano ao fígado e tecidos nervosos.

“Nós descobrimos que a exposição ao fumo passivo durante apenas um mês já foi capaz de causar danos ao fígado” disse Martins-Green. A exposição por dois meses, descobriram os pesquisadores, já era capaz de causar danos moleculares. Com quatro meses, os prejuízos eram ainda maiores. Os ratos também apresentavam resistência à insulina depois de longa exposição ao fumo passivo. Os pesquisadores perceberam também que houve um aumento nos hormônios relacionados ao estresse nos ratos durante o estudo.

É importante ressaltar que a pesquisa foi conduzida em ratos que vivem em condições ideais de laboratório. Os resultados, evidentemente, podem não ser os mesmos com seres humanos. Ainda assim, é uma boa oportunidade para considerar os riscos potenciais do fumo passivo.

“Ainda que nossa pesquisa não tenha sido feita em seres humanos, as pessoas devem estar atentas a quartos de hotel, carros e casas que foram ocupadas por fumantes”, disse Martins-Green.

A pesquisa foi publicada no Clinical Science.

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