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Humanos e Neandertais evoluíram de um ancestral comum, estudo revela

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Os humanos modernos e os neandertais podem ter divergido pelo menos 800 mil anos atrás, de acordo com uma análise de quase mil dentes de humanos e nossos parentes próximos.

Essa nova estimativa é muito mais antiga do que as estimativas anteriores, baseadas em antigas análises de DNA, que estabelecem a divisão entre humanos e neandertais entre 500.000 e 300.000 anos atrás.

No entanto, embora os pesquisadores tenham chamado a nova análise dentária de impressionante, eles observam que ela se baseia em uma grande suposição: que a forma do dente evolui de maneira estável, especialmente nos neandertais. Se a forma do dente não evoluir a uma taxa constante, então “a construção deste artigo colapsa”, disse Fernando Ramirez Rozzi, diretor de pesquisa especializado em evolução humana no Centro Nacional de Pesquisa Científica da França em Toulouse, que não esteve envolvido no estudo.

Dito isto, é bem possível que os dentes (e os dentes de Neanderthal em particular) evoluam a uma taxa previsível, o que significa que o cálculo do novo estudo pode estar certo. “No momento, há a ideia de uma mudança constante da taxa evolutiva na forma dos dentes da bochecha”, disse Ramirez Rozzi.

Toneladas de dentes

Os pesquisadores examinaram 931 dentes pertencentes a um mínimo de 122 indivíduos de oito grupos, incluindo humanos e nossos parentes próximos. Destes, 164 dos dentes eram dos primeiros neandertais do sítio Sima de los Huesos (Espanha), uma amostra que inclui quase 30 indivíduos que viveram cerca de 430.000 anos atrás, durante a época do Pleistoceno Médio.

Ao todo, a pesquisadora Aida Gómez-Robles examinou 931 dentes pertencentes a um mínimo de 122 indivíduos. Crédito: Aida Gómez-Robles
Ao todo, a pesquisadora Aida Gómez-Robles examinou 931 dentes pertencentes a um mínimo de 122 indivíduos.
Crédito: Aida Gómez-Robles

Ao comparar as diferenças na forma dos dentes entre as amostras, a pesquisadora do estudo Aida Gomez-Robles, paleoantropóloga da University College London, conseguiu calcular as taxas evolutivas de mudança de formato dentário e estimar o tempo de divergência entre o último ancestral comum entre humanos e neandertais.

O resultado – que os neandertais e os humanos modernos provavelmente divergiram mais de 800.000 anos atrás – mostra que o último ancestral comum desses dois grupos provavelmente não é o Homo heidelbergensis, como alguns cientistas pensam.

“H. heidelbergensis não podem ocupar essa posição evolutiva porque posterga a divergência entre os neandertais e os humanos modernos”, disse Gomez-Robles. “Isso significa que precisamos olhar para as espécies mais velhas quando procuramos por esta espécie ancestral comum.”

A descoberta também “tem profundas implicações para a maneira como interpretamos o registro fóssil e as relações evolutivas entre as espécies”, disse Gomez-Robles.

Afastar a divergência entre os neandertais e os humanos modernos “está abrindo uma nova porta”, porque sugere que os dois grupos foram distintos por muito mais tempo do que se pensava, disse Ramirez Rozzi.

No entanto, isso levanta uma questão, ele disse. Humanos e Neandertais cruzaram por volta de 60.000 anos atrás, quando os humanos modernos deixaram a África. (Esse cruzamento explica por que os genomas de alguns humanos modernos contêm quase 3% de DNA neandertal.) Mas se os humanos e os neandertais se separaram há pelo menos 800 mil anos, é surpreendente que eles ainda fossem capazes de cruzar apenas 60 mil anos atrás, disse Ramirez Rozzi.

“Em outras palavras, quase 1 milhão de anos de evolução não foi suficiente para estabelecer barreiras (genéticas, endocrinológicas, comportamentais, etc.) para separar definitivamente essas duas espécies?” ele perguntou.

O argumento é bem apresentado por Gomez-Robles, que é “um conhecido especialista na morfologia dentária da linhagem Neanderthal”, disse Bruno Maureille, diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), em Paris, que não estava envolvido no estudo.

Mas, parece que os restos dentários dos neandertais de diferentes sítios da Europa têm “suas próprias particularidades”, disse Maureille. “Podemos simplesmente tentar desenhar tais cenários globais? Eu não tenho tanta certeza.”

O estudo foi publicado online em 16 de maio na revista Science Advances.

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