Humanos podem ter causado extinção da megafauna australiana

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Originalmente por Phys.org
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio.

Os seres humanos já podem ser culpados por uma série de extinções no mundo animal, e agora estão sendo ligados a mais uma. Ao contrário do que se imaginava anteriormente, evidências envolvendo uma análise das fezes de animais de grande porte que já rondaram a Austrália indicam que a causa primária da extinção dessas criaturas, há cerca de 45 mil anos, provavelmente foi um resultado da ação de seres humanos, e não da mudança climática.

A equipe, liderada pela Universidade Monash, de Victoria-AUS e pela Universidade do Colorado, em Boulder-EUA, utilizou informações de sedimentos do Oceano Índico ao largo da costa do sudoeste da Austrália para ajudar a reconstruir o clima antigo e os ecossistemas que já fizeram parte do continente. O núcleo contém camadas cronológicas de materiais como poeira, pólen, cinzas e esporos de um fungo chamado Sporormiella, que prosperava no esterco de mamíferos que se alimentavam de plantas, conforme diz o professor da Universidade do Colorado, Gifford Miller.

Miller esteve presente no estudo liderado por Sander van der Kaars da Universidade Monash e disse que os sedimentos permitiram aos cientistas olhar para trás no tempo. Mais precisamente, os cientistas foram capazes de “voltar no tempo” em 150 mil anos, podendo assim estudar o último ciclo glacial total da Terra.

Entre os animais que faziam parte da megafauna australiana, estavam cangurus de 450 quilos, vombates que pesavam mais que uma tonelada, lagartos gigantes, aves terrestres de 180 quilos, marsupiais de 140 quilos e tartarugas do tamanho de um carro. Entretanto, mais de 85% dos mamíferos, pássaros e répteis da Austrália que pesavam mais de 100 quilos foram extintos logo após a chegada dos primeiros seres humanos.

De acordo com os resultados do estudo, o sudoeste da Austrália é um das poucas regiões que possuía florestas densas, há cerca de 45 mil anos. “É uma região com algumas das primeiras evidências de seres humanos no continente, e é onde esperamos que muitos animais tenham vivido”, disse Miller. Ainda de acordo com o pesquisador, não há evidência de mudanças climática significativa.

Os cientistas vêm debatendo as causas das megafaunas australianas há décadas, e praticamente não existe consenso. Alguns afirmam que os animais não poderiam ter sobrevivido às mudanças no clima, incluindo uma alteração considerável há 70 mil anos, quando grande parte da paisagem do sudoeste da Austrália passou de um ambiente florestal para uma paisagem árida, com escassa vegetação. Por outro lado, alguns sugerem que os animais foram caçados até a extinção pelos primeiros imigrantes da Austrália, que colonizaram a maior parte do país há 50 mil anos. Miller também considera a possibilidade de que a extinção tenha sido causada por uma soma de caça e mudanças climáticas.

Um estudo realizado em 2006 na Austrália indica que mesmo a caça de baixa intensidade da megafauna australiana poderia ter resultado na extinção de uma espécie dentro de algumas centenas de anos. Dez anos depois, em 2016, Miller usou cascas queimadas de ovos da ave Genyornis (que pesava 180kg) como a primeira evidência direta de que os seres humanos realmente caçavam a megafauna australiana. O novo estudo também incluiu participação do professor Scott Lehman, do INSTAAR. O estudo foi financiado em parte pela Fundação Nacional de Ciências dos EUA e pela Fundação Alemã de Pesquisa.

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