A inovação tecnológica de 1916: tanques de guerra

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Tanques foram utilizados pela primeira vez no campo de batalha em 15 de setembro de 1916, nos últimos estágios da batalha de Flers-Courcelette. Havia um número pequeno depois de alguns terem quebrado, mas cerca de 27 alcançaram a linha de frente alemã. Alguns desses tanques foram bem sucedidos o suficiente para atacar as trincheiras alemãs e mostrar que a invenção poderia quebrar o impasse da guerra de trincheiras.

A edição da semana anterior a 30 de setembro de 1916 da Scientific American havia falado sobre a arma:

“Contos estranhos estão vindo até nós dos campos de batalha do norte da França. Nós quase podemos acreditar que o nosso velho amigo Barão de Münchausen voltou à vida e teve um extraordinário desenvolvimento na guerra atual, nos preparando para aceitar as coisas mais selvagens possíveis. Os correspondentes de guerra têm nos relatado sobre uma grande máquina britânica que passa por buracos e trincheiras com facilidade, e prefere esmagar uma árvore ao invés de contorná-la. É claro, essas histórias foram pintadas pela imaginação de escritores, mas depois dos devidos subsídios, as fabulosas histórias sobre esses rolos compressores estão dentro dos limites possíveis.”

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Um trator civil esmagando através do matagal.

Mas a censura de novas e bem sucedidas armas era grande: alguns militares ou civis sequer sabiam como essas máquinas pareciam: as novas armas ao menos foram chamadas de “tanques”. Nos debates sobre o artigo da Scientific American de 07 de outubro de 1916, o assunto era referido como “tatu blindado” ou “tratores blindados”.

“Agora, quanto à forma, tamanho, peso e potência dos tratores blindados utilizados pelos britânicos na atual ofensiva de Somme, é de notar que nenhuma informação definitiva foi autorizada a ser transmitida sobre esses assuntos; de modo que o que temos a dizer sobre isso é mera especulação”, afirmava o artigo.

O artigo tentou sintetizar o pouco que se sabia sobre essas máquinas. Carros blindados, primeiro imaginados por Leonardo da Vinci, em 1487, foram construídos e utilizados nos primeiros meses da Primeira Guerra Mundial. Mas os veículos de rodas eram limitados, pois eles só podiam viajar em estradas ou terreno duro, plano e seco. O veículo de combate armado e blindado mais útil era aquele que poderia atravessar o mesmo terreno que a infantaria deveria abranger; um tanque fazia isso com a utilização de esteiras em torno das suas rodas.

Como foi conhecido em 1916, tratores pesados com degraus poderiam cruzar terrenos mais irregulares. Uma das imagens do artigo original mostra um trator civil esmagando o caminho através de um matagal. A própria Scientific American já havia divulgado um artigo sobre testes militares com veículos modificados em uma publicação de 16 de maio de 1908, e novamente em 6 de maio de 1909, que discutiu o modo de locomoção em terreno irregular.

O exterior blindado que mostramos tem indícios de ser baseado em “The Land Ironclads”, um conto de ficção sobre tanques em uma guerra de trincheiras, escrito por H. G. Wells em 1903. Mas a forma exterior dos tanques em questão parecem ser baseadas em um projeto rejeitado pelo governo britânico: “Nós apresentamos desenhos de um projeto de trator militar para uso contra as trincheiras, que foi feito em resposta a um pedido da Grã-Bretanha. Estes planos foram submetidos ao Naval Munitions Board, em Londres”.

Modelo recusado pelo governo britânico. Embora não muito distante dos tanques fabricados, o motor parece pequeno.
Modelo recusado pelo governo britânico. Embora não muito distante dos tanques fabricados, o motor parece pequeno.

O artigo termina com a avaliação dos alemães e britânicos, e especulações sobre o futuro da guerra, prevendo com precisão as batalhas de tanques duas décadas depois, na Segunda Guerra Mundial:

“A parte que essas máquinas estão destinadas a desempenhar nas fases posteriores da guerra é questão de especulação. Os britânicos falam delas como um grande sucesso; Berlim, naturalmente, descreve como um fracasso completo por ser lento e suscetível a quebrar. Se forem bem sucedidos, é certo que a Alemanha voltará com algo da mesma espécie; e, em caso afirmativo, podemos ver esquadrões destes tatus mecânicos manobrando uns contra os outros em campo aberto”.

[Scientific American]

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