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Introdução à Acupuntura

Por David Colquhoun e Steven Novella

A dor é um grande problema. Mesmo que hajam centros que consigam manipulá-la ou que aleguem isso, a dificuldade ainda não foi resolvida. E quando não existe tratamento efetivo algum para um problema médico, há uma tendência de procurar-se outros ramos, nos quais está inserido a acupuntura. Embora seja comumente alegado de que a acupuntura vem sendo usada há milhares de anos, ela nunca foi tão popular, mesmo na China. Por quase um mil anos, ela esteve em declínio, e, em 1822, o imperador Dao Guang lançou que a prática deveria ser banida para sempre da Academia Imperial Médica.

Ela ressurgiu, após, como uma pequena atividade na década de 50. Após a Guerra Civil Chinesa, o Partido Comunista Chinês ridicularizou a Medicina Tradicional Chinesa, incluindo a acupuntura e apontou-a como supersticiosa.

No entanto, na Grande Revolução Cultural Chinesa de 1966, o então presidente Mao Zedong reviveu a Medicina Tradicional Chinesa e isso foi uma resposta conveniente à falta de pessoas treinadas em medicina na China pós-guerra e um caminho útil à exacerbação do nacionalismo. Há quem diga que Mao preferia a medicina ocidental. Seu médico particular já cita “Embora acredite que devamos promover a medicina chinesa, eu, particularmente, não a credito nem a uso”.

O viés político, ou talvez comercial, parece ainda existir e tem sido reportado (por autores simpatizantes da medicina alternativa) que “todos os julgamentos [da acupuntura] feitos na China, Japão, Hong Kong e Taiwan foram positivos.”

A acupuntura foi essencialmente extinta no Ocidente, ou pelo menos nos Estados Unidos, até o presidente Nixon visitar a China em 1972. Seu renascimento foi largamente causado pelo resultado de uma anedota promulgada pelo jornalista James Reston, no jornal New York Times, depois que ele utilizou-a para tratar-se de uma dor pós-operatória em 1971. Apesar de sua iminência como jornalista político, Reston não deu a seu texto nenhum viés científico e evidentemente divulgou a falácia post hoc ergo propter hoc.

Depois de seu relatório, a acupuntura rapidamente tornou-se popular no Ocidente. Circulavam até histórias de que pacientes na China foram operados do coração por acupuntura.

O Conselho de Pesquisa Médica do Reino Unido mandou uma delegação, que incluía Alan Hodgkin, à China em 1972, com o objetivo de investigar tais alegações, que foram repetidas em um programa de 2006 na TV britânica, mas Simon Singh (autor do Último Teorema de Fermat) descobriu que o paciente tinha ingerido, na verdade, uma combinação de três sedativos superpotentes (midazolam, droperidol e fentanil) e grandes volumes de anestesias locais injetadas no pescoço. As agulhas de acupuntura foram apenas meros furos em sua pele.

Curiosamente, dado que os princípios alegados são tão bizarros quanto qualquer tipo de medicina não-científica, a acupuntura pareceu ganhar mais plausibilidade que outras formas de medicina alternativa. Como resultado, mais pesquisas foram feitas nessa área do que em qualquer outra parecida. Então, a partir dos estudos, conclui-se que os benefícios da acupuntura são inexistentes, ou, pelo menos, pequenos demais para serem notados ou terem alguma significância clínica. Provavelmente, trata-se apenas de um placebo teatral. As evidências de tal conclusão serão discutidas na parte 02, que será publicada aqui em breve.


Fonte

David Colquhoun and Steven Novella. Acupuncture Doesn’t Work. Science-Based Medicine. June 19, 2013.

Douglas Rodrigues e Josikwylkson Costa. Introdução à Acupuntura (Tradução). Climatologia Geográfica. 30 de Março de 2015.

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