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O LHC começou as suas atividades de 2017

No dia primeiro de maio, o LHC, ou Grande Colisor de Hádrons, começou novamente a circular feixes de prótons, pela primeira vez neste ano, após uma parada técnica estendida que durou 17 semanas.

Durante o mês de abril, depois da conclusão do trabalho de manutenção que teve início em dezembro de 2016, cada uma das máquinas que fazem parte da corrente do acelerador foram ligadas e desligadas intercaladamente até o último final de semana de abril, quando o LHC, a última máquina do acelerador, pôde ser religada pela equipe de operações.

“É como uma orquestra, tudo precisa estar cronometrado e trabalhando em harmonia. Uma vez que cada uma das partes está trabalhando apropriadamente, o feixe é inserido, em fases, de uma máquina para a próxima até chegar ao LHC,” explica Rende Steerenberg, que lidera o grupo de operações responsável pelo complexo do acelerador, incluindo o LHC.

A cada ano, as máquinas são desligadas durante o verão, para permitir que técnicos e engenheiros façam os reparos e atualizações necessários, mas este ano o desligamento foi programado para acontecer por um período maior, permitindo que um trabalho mais complexo fosse efetuado. Entre os trabalhos deste ano estão inclusos a substituição de um ímã supercondutor no LHC, a instalação de um novo descarregador de feixes no Super Proton Synchrotron (SPS) e uma grande tarefa de remoção de cabos.

Entre outras coisas, estas atualizações permitirão que o colisor alcance uma maior luminosidade integrada – quanto maior a luminosidade, mais dados os experimentos podem coletar, para permitir a observação de processos raros.

“Nosso objetivo para 2017 é alcançar uma luminosidade integrada de 45 fb-1 (eles tiveram um alcance de 40 fb-1 ano passado) e, preferivelmente, ir além. O grande desafio é que, enquanto você pode aumentar luminosidade de diferentes formas – você pode colocar mais grupos de feixes na máquina, aumentar a densidade por grupo e também aumentar a densidade por feixe – o fator principal é na verdade a quantidade de tempo que você fica com um feixe estável,” explica Steerenberg.

Em 2016, a máquina foi capaz de funcionar com feixes estáveis – feixes dos quais pesquisadores podem coletar dados – por cerca de 49% do tempo, comparando com apenas 35% no ano anterior. O desafio que a equipe enfrenta este ano é manter esta porcentagem, ou aumentar mais ainda.

A equipe também usará a jornada de 2017 para testar novas configurações de óptica – que proporcionam o potencial para luminosidades ainda mais altas e mais colisões.

“Nós estamos mudando a maneira como fazemos a compressão do feixe para o seu menor tamanho nos experimentos, inicialmente para o mesmo que ano passado, mas com a possibilidade de alcançar tamanhos ainda menores mais tarde, o que significa que nós podemos forçar os limites da máquina mais ainda. Com o novo descarregador de feixes no SPS e as melhorias para os injetores do LHC, nós podemos injetar mais partículas por grupo, mais grupos, e consequentemente, mais colisões,” ele concluí.

Apenas durante as primeiras semanas, alguns grupos de partículas circularão no LHC, para depurar e validar a máquina. Os grupos vão aumentar gradualmente nas próximas semanas até que haja partículas suficientes na máquina para começar as colisões e as coletas de dados.

 

Originalmente publicado em Phys

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