Medicamento utilizado no tratamento da malária mostra benefício para pacientes com câncer

41

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, inscreva-se agora.

Originalmente por David Nield | ScienceAlert
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio

As esperanças de tratamentos aprimorados para o câncer cerebral estão renovadas, depois de cientistas descobrirem efeitos positivos partindo de uma fonte inesperada: uma droga normalmente utilizada para tratar a malária.

O medicamento, chamado cloroquina, foi utilizado como último recurso em três pacientes com câncer no cérebro, e nos dois casos parece ter superado a resistência da doença aos tratamentos convencionais. Ao que tudo indica, de acordo com os pesquisadores, o medicamento quebra a defesa desenvolvida pelo tumor, “resetando” a vulnerabilidade dele ao tratamento.

Jean Mulcahy-Levy, oncologista da Universidade do Colorado, diz que os resultados dos testes realizados foram encorajadores. “Nós tratamos três pacientes com a combinação (de medicamentos), e em todos os três tivemos benefício clínico”, disse o oncologista. “É realmente impressionante. Muitas vezes você não vê esse tipo de resposta em tratamentos experimentais”.

Um dos pacientes foi Lisa Rosendahl, de 26 anos, que havia recebido apenas alguns meses de vida dos médicos. O poderoso glioblastoma que acomete seu cérebro havia se tornado resistente à quimioterapia e outros tratamentos convencionais. Por conta disso, foi medicada com um inibidor chamado vemurafenib, mas com o tempo também tornou-se resistente a ele. Isso fez com que a equipe médica decidisse tentar algo diferente para reverter a situação – Utilizando um processo de separação celular chamado autofagia. Esse processo é comum, e ocorre dentro do nosso corpo. Nele, células mortas ou danificadas são removidas e recicladas para que sejam feitas novas células. O grande problema é que muitas vezes os tumores usam o processo da autofagia justamente para permanecer ‘saudáveis’, aproveitando a reciclagem celular para resistir aos medicamentos. O câncer de Rosendahl era especificamente dependente do processo, por conta de uma mutação genética chamada BRAFV600E.
Felizmente, a cloroquina é conhecida por inibir a autofagia. Com isso em mente, Mulcahy-Levy e sua equipe decidiram administrar a droga na paciente, como uma última esperança na luta contra o tumor, combinando a cloroquina com o vemurafenib. “Milagrosamente, (Rosendahl) respondeu à combinação”, disse Mulcahy-Levy. “Quatro semanas mais tarde, ela já conseguia ficar de pé e mostrava melhoras no movimento dos braços, pernas e da cabeça”.

É importante ressaltar que a cloroquina não removeu o tumor, mas funcionou no sentido de enfraquecer as defesas do câncer em relação ao vemurafenib – que já não surtia efeito por conta própria. Até o momento, apenas três pacientes receberam o tratamento, e é claro que outros tipos de câncer não dependem tanto da autofagia. Por isso é muito cedo para determinar que os efeitos positivos poderiam ser observados em qualquer paciente com câncer.

Entretanto, os cientistas dizem que um teste clínico de maiores proporções pode acontecer de maneira rápida, já que a cloroquina já é aprovada pela Food and Drug Administration dos EUA (FDA) – o órgão que regulamenta alimentos e drogas. “Ser um pioneiro nesse tratamento me deixa realmente muito feliz”, disse Rosendahl. “Eu espero que isso ajude as pessoas. Eu quero que isso ajude”.

Os resultados do estudo foram publicados no eLife.

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, inscreva-se agora.

Comentários
Carregando...