Médico desenvolve problemas visuais após se curar do Ebola

Imagem do olho de Crozier, tomada com um equipamento que dispara um feixe de luz
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Um médico americano que se recuperou do Ebola desenvolveu sérios problemas de visão meses depois de se curar, pois o vírus permaneceu em seu olho, de acordo com um novo relatório sobre seu caso. Ian Crozier, 44 anos, contraiu Ebola em setembro de 2014, durante o tratamento de pacientes em Serra Leoa. Os problemas de Crozier eram tão graves que ele quase perdeu a visão, mas de acordo com o relatório de coautoria do próprio, ela já está recuperada.

“Este caso destaca uma importante complicação do Ebola, com implicações relevantes para a saúde individual e pública, que são imediatamente relevantes para o surto do Oeste Africano”, escreveram os pesquisadores no relatório, publicado neste dia 7 de maio no The New England Journal of Medicine.

Imagem do olho de Crozier, tomada com um equipamento que dispara um feixe de luz
Imagem do olho de Crozier, tomada com um equipamento que dispara um feixe de luz. / Créditos: The New England Journal of Medicine

Pouco depois que Crozier ficou doente na África, ele foi internado no Emory University Hospital, em Atlanta, onde recebeu tratamento intensivo, incluindo a utilização de respirador artificial por 12 dias e diálise, por conta de uma insuficiência renal, por quase um mês. Depois de 40 dias de tratamento, sua condição melhorou. Após receber alta, foi liberado do hospital. Mas logo depois disso ele passou a ter problemas oculares, incluindo uma sensação de ardor, e de que havia algo em seu olho, diz o relatório. Ele também precisava de uma nova receita para seus óculos de leitura. Após um exame ocular, o médico foi diagnosticado com uveíte, a inflamação da úvea, camada de tecido no meio do olho.

Um mês mais tarde, cerca de nove semanas após ter sido declarado “livre do Ebola”, Crozier teve novos sintomas oculares, como vermelhidão, visão borrada com sombras e presença de dor, além do aumento da pressão no olho esquerdo. Foi iniciado o tratamento com gotas para os olhos, na intenção de reduzir a inflamação ocular, e medicamentos foram administrados para reduzir a pressão.

Mas seus sintomas continuaram a se agravar nos dias seguintes, assim que seus médicos realizaram um procedimento para remover o fluído de seu olho, e realizou exames para o vírus Ebola. Eles descobriram que uma amostra do fluido entre o revestimento exterior do olho e a lente deu positivo para Ebola. No entanto, amostras de sangue, lágrimas e tecido conjuntivo de Crozier não apresentavam o vírus.

Durante os cinco dias seguintes, a inflamação ocular de Crozier continuou, e ele passou a perder parte da visão. Três dias depois, a inflamação aliviou, mas ele ainda tinha uma deficiência visual grave no olho esquerdo. Três meses depois de seu primeiro diagnóstico com inflamação ocular, sua condição melhorou e ele recuperou a visão, disseram os pesquisadores.

O portal americano ‘LiveScience’ relata que houve incidentes anteriores de problemas oculares em sobreviventes do Ebola. Depois do surto de 1995 na República Democrática do Congo, cerca de 15% dos sobreviventes em um estudo de acompanhamento haviam desenvolvido problemas visuais, tais como dor ocular e perda da visão. E uma pesquisa recente, com 85 sobreviventes da doença na Serra Leoa revelou que 40% dos entrevistados relataram problemas visuais.

Os problemas de Crozier possivelmente eram um efeito direto do vírus Ebola, que persistiu no fluido do olho, apesar de ser apagado da maior parte do corpo, disseram os pesquisadores. Outro lugar onde o Ebola pode persistir após a recuperação é o sêmen.

É reconfortante que o vírus não tenha sido encontrado em partes do olho que poderiam entrar em contato com outras, como lágrimas e a conjuntiva, disseram os pesquisadores. Este achado “apoia estudos anteriores, sugerindo que os pacientes que se recuperaram da doença não representam um risco de propagação da infecção através do contato casual”, disseram os pesquisadores.

Futuros estudos são necessários para avaliar como o vírus Ebola é capaz de persistir em determinadas partes do corpo.

Fonte: LiveScience

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