Muitas pessoas “ouvem GIFs”, e isso sugere que estamos errados sobre como nosso cérebro funciona

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Um estudo sobre uma forma comum de sinestesia sugere que um em cada cinco de nós pode “ouvir” certos tipos de imagens silenciosas.

Embora os mecanismos por trás dessa estranha peculiaridade neurológica não sejam tão claros, essa nova pesquisa sugere que a sinestesia pode não ser tão incomum e possivelmente emerge de algum ponto em comum à maioria de nós.

A sinestesia – o estranho cruzamento sensorial que leva algumas pessoas a “ver ruídos” ou “ouvir imagens” – foi a explicação mais conveniente, mas, considerando o pouco que sabemos sobre a condição, ela ainda não resolveu o mistério.

Pesquisadores da Universidade de Londres pesquisaram mais de 4.100 pessoas sobre suas respostas sensoriais a uma variedade de imagens em movimento sem som que incluíam uma mistura de 24 cenas abstratas e dinâmicas em várias velocidades.

Seu objetivo era determinar quantos de nós experimentamos o fenômeno a que se referiam como uma resposta auditiva evocada visualmente – ou vEAR.

“Descobrimos que até 21% das pessoas podem experimentar formas desse fenômeno, o que o torna consideravelmente mais comum do que outras sinestesias”, diz o pesquisador Elliot Freeman.

Seus resultados não explicam definitivamente por que algumas pessoas ouvem um barulho quando veem movimento, mas a prevalência da experiência indica que ela pode oferecer uma excelente oportunidade para estudar como nossos cérebros dão sentido aos estímulos.

Mais importante, o fato de ser tão comum pode significar que precisamos descartar suposições de que a sinestesia é o resultado de algum tipo de conectividade incomum do nosso cérebro.

Em vez disso, esses sinais cruzados poderiam ser simplesmente como nossos cérebros funcionam normalmente, decorrentes de conexões ou processos razoavelmente padronizados que a maioria de nós possui.

Para aprender mais, um quarto dos voluntários foram questionados sobre sua saúde e experiências passadas, como “Você sofre de zumbido?” e “Quando no escuro ou dormindo, você já viu flashes de luz disparados por sons repentinos?”

Suas respostas mostram um ligeiro viés em relação àqueles que ouvem o zumbido em seus ouvidos para também ouvir um som ao lado de certas sugestões visuais.

Aqueles que alegam ouvir sons quando veem imagens musicais em movimento, mas silenciosas, também são mais propensos a experimentar uma sensação auditiva quando assistem a vídeos.

Em conjunto, é possível que o aumento da excitabilidade em algumas partes do córtex, especialmente nas áreas visuais, possa estar vazando para áreas dedicadas à audição.

Assim, parece que, em vez de ter uma fiação cerebral incomum, aqueles que experienciam o vEAR podem simplesmente ter cérebros que experimentam algum transbordamento de atividade entre certas áreas.

“Acreditamos que essas sensações podem, às vezes, refletir o vazamento de informações de partes visuais do cérebro para áreas mais geralmente dedicadas à audição”, diz Freeman.

Por mais interessante que seja, não é o suficiente para explicar por que algumas pessoas ouvem barulhos quando veem um movimento repentino, quanto mais por que experimentamos outros tipos de transições em sensações.

O fato de uma em cada cinco pessoas confessar que está experimentando algo abre o caminho para conduzir mais investigações, para que possamos ter respostas melhores em breve.

Esta pesquisa foi publicada no Cortex.

Traduzido e adaptado de Science Alert.

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