‘Não coma placenta’, alertam especialistas sobre mania recente

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Com informações de LiveScience

Comer a própria placenta após o parto se tornou uma espécie de mania, depois que algumas celebridades (como Kim Kardashian) falaram sobre o assunto abertamente depois de suas gestações. Quem defende a prática diz que isso pode ajudar a lidar, por exemplo, com a depressão pós-parto, a lactação e aumento de energia. A medicina, no entanto, tem más notícias para quem acredita nisso. Isso porque de acordo com uma nova análise de estudos científicos, a ingestão da placenta pode colocar em risco a saúde da mãe e do bebê.

A revisão, publicada no mês de agosto no American Journal of Obsetetrics & Gynecology, examinou as pesquisas que já foram realizadas sobre esse tema para determinar até que ponto a ingestão da placenta trazia efeitos positivos e/ou negativos. A equipe por trás do estudo descobriu que alguns testes clínicos realizados com placentas falharam em apresentar benefícios na sua ingestão.

“Não coma a placenta”, disse o principal autor da análise, Amos Grünebaum, professor de obstetrícia e ginecologia em Nova Iorque. “Não há benefícios nisso, e existem riscos potenciais”, argumentou. Esses riscos incluem infecções bacterianas e virais, tanto para o bebê como para a mãe. Existe também o risco da ingestão de toxinas e hormônios prejudiciais acumulados na placenta durante a gestação. Esses riscos permanecem mesmo em casos em que a placenta é congelada e posteriormente frita.

Além disso, não existem padrões no processamento de placentas para o consumo humano nos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA. De acordo com Grünebaum, os riscos de contaminação a partir da ingestão da placenta possuem algumas semelhanças com a carne “tradicional” que consumimos. Quanto mais próxima de crua, mais perigosa é a placenta.

Um relatório do CDC, feito em junho, alertava para os riscos de consumir a placenta sem aquecê-la suficientemente, em uma temperatura adequada para matar as bactérias. No relatório, os agentes do CDC descrevem um caso em que uma criança sofria com uma infecção causada por uma bactéria encontrada apenas na placenta. Depois de investigar as cápsulas de placenta, o CDC sugeriu que quando encapsulada, a placenta deve ter sido aquecida a pelo menos 55ºC, durante cerca de duas horas.

Entretanto, alguns estudos descobriram que mesmo quando cozida por tempo suficiente para eliminar bactérias, vírus, alguns metais pesados e hormônios podem continuar na placenta, já que o calor não surte efeito nesses materiais. Nenhum desses estudos encontrou níveis perigosos de toxinas ou hormônios em placentas, mas as mulheres que praticavam a ingestão da placenta em algumas ocasiões relatavam dores de cabeça. Isso, de acordo com especialistas, podem ser explicado pela ação do metal pesado chamado cádmio – encontrado nas placentas.

“As pessoas que dizem às mulheres para comer a placenta fazem bastante dinheiro com isso”, disse Grünebaum. De fato, os autores da análise recente descobriram que custa de 200 a 400 dólares para encapsular uma placenta.

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