NASA já possui projeto de telescópio que pode ajudar a destruir asteroides perigosos

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Originalmente por Dave Mosher | Business Insider
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio.

Com o intuito de seguir explorando o sistema solar, a NASA anunciou duas novas missões espaciais, que venceram o programa Discovery e receberão 450 milhões de dólares para a construção de robôs e foguetes. Nas missões, estarão envolvidos Lucy (uma sonda que visitará antigos asteroides que orbitam Júpiter; e Psyche, que orbitará o núcleo de um planeta morto. De acordo com Thomas Zurbuchen, administrador associado da Divisão de Ciência da NASA, a ideia é ir para lugares em que nunca fomos até hoje.

Mas o programa Discovery não é interessante apenas por seus vencedores. Junto com outros finalistas que não foram escolhidos, está o projeto de um telescópio espacial que talvez um dia salve muitas vidas na Terra. Trata-se do NEOCam (Near-Earth Objects Camera), que em português significa “Câmera de Objetos Próximos à Terra”. O telescópio promete ser capaz de identificar dezenas de milhares de rochas espaciais com 140 metros de diâmetro ou maiores. Estima-se que rochas desse tamanho possam ter poder de destruição maior do que qualquer arma nuclear que já foi detonada na Terra. Mark Sykes, do Instituto de Ciência Planetária dos EUA disse que caso um meteorito desse tamanho caia sobre uma cidade, “esse será um péssimo dia”.

Para se ter uma ideia, um asteroide que pode chegar ao tamanho de um prédio de 10 andares voou perto da Terra e chegou mais próxima que a Lua do nosso planeta. Mesmo assim, os astrônomos só perceberam sua existência dois dias antes de sua passagem pela Terra. Em outras condições, isso poderia ter significado o fim de uma cidade e a morte de muitas pessoas. A NASA já se comprometeu a financiar parcialmente o NEOCam por um ano, mas ainda assim o serviço estadunidense está anos atrás do que seria o “timing” ideal, e por enquanto seguimos à mercê desses meteoritos.

Em meio ao bombardeio

Qualquer rocha espacial dentro de 200 milhões de quilômetros do Sol é considerado um NEO, e, talvez para sua surpresa, a humanidade encontrou até agora cerca de 15,5 mil desses objetos. Em média, eles possuem 50 milhões de quilômetros e se movem a 12km por segundo. De acordo com o Business Insider, 9% desses NEO’s são considerados potencialmente perigosos para a Terra – o que quer dizer que eles podem um dia chegar a apenas 7,48 milhões de km de distância da Terra.

A animação abaixo, feita por Scott Manley e publicada pelo Business Insider, mostra o que está acontecendo ao nosso redor. Os planetas são as bolinhas de coloração azul-esverdeado; em amarelo e vermelho estáo os NEO’s (os vermelhos estão atravessando a órbita da Terra); e os pontos verdes são asteróides mais distantes. Mas claro, esses são apenas os asteroides que nós já conhecemos – o que não quer dizer que sejam todos que existem por aí.

De acordo com uma relatório publicado pela Casa Branca dos EUA em 2016, cerca de 72% dos NEO’s com 140 metros ou mais ainda não foram descobertos. Mas isso não quer dizer que nós tenhamos que nos preocupar apenas com os asteroides de tamanho avantajado.

“Um asteroide menor, com apenas 45 metros, explodiu em 1908 em Tunguska (região da Sibéria), com uma energia de explosão que destruiu uma área do tamanho de Nova Iorque”, disse Roger Blandford, físico da Universidade de Stanford. Esses eventos, de acordo com um estudo publicado na revista Nature em 2013 ocorrem uma vez a cada 100-200 anos. O que justifica o desespero por parte dos cientistas para identificar e, se for necessário, destruir essas ameaças.

Mas como o NEOCam pode ser útil?

Climatologia Geográfica

As rochas espaciais refletem a luz do sol. Isso permite que telescópios que estejam observando o local certo, na hora certa, possam identificar pequenos pontos de luz se esgueirando pelo espaço. Desta forma, os cientistas consegue calcular a massa, velocidade, órbita e as probabilidades desse corpo se chocar com a Terra. O problema é que os NEO’s normalmente não são tão refletivos assim. Por isso, para identificá-los é necessários um telescópio bem grande, que tenha um campo de visão relativamente grande e utilize tecnologia avançada. Esses telescópios, normalmente, não são baratos. O LSST (Large Synoptic Survey Telescope), por exemplo, precisará de 465 milhões de dólares para ser concluído. Ainda assim, mesmo o LSST, considerado um dos telescópios considerados como a maior esperança da humanidade na “caça contra os asteróides”, tem suas limitações. De acordo com os cientistas, se o asteroide possui uma superfície escura, sem luz do sol, ele seria realmente difícil de ser identificado.

E é justamente aí que entra a inovação do NEOCam. De acordo com o projeto, ele ficaria posicionado no espaço, de forma com que os gases atmosféricos não interferissem no processo de identificação.

Por enquanto, nos resta esperar que a NASA decida colocar o projeto em prática – algo que ainda não possui previsão para acontecer.

 

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