Nós precisaríamos de 1,7 planetas como a Terra para tornar nosso consumo sustentável

Recentemente, os EUA anunciaram sua saída do acordo de Paris.  Os Estados Unidos são um dos maiores consumidores do mundo, e as políticas dos país podem ter efeitos ambientais globais.

A partir de 2013, a população mundial precisaria de 1.7 Terra para suportar suas demandas em recursos naturais renováveis, de acordo com a Global Footprint Network, uma organização sem fins lucrativos que calcula as demandas humanas nos ecossistemas do planeta.

Os países em tons laranjas consomem mais do que está disponível, enquanto os em tons de azul consomem menos do que está disponível à sua população. Crédito de imagme: The Washington Post.

A Global Footprint Network mede o consumo humano em relação ao que o planeta pode regenerar com uma medida chamada de “pegada ecológica”.

A pegada leva em consideração a quantidade de recursos biológicos são necessários para atender o consumo de um país e absorver o seu desperdício. Isso inclui as importações e exclui as exportações. Quanto menor a pegada de um país, melhor.

Um país também tem uma biocapacidade – isto é, a capacidade do país para renovar os recursos exigidos de seus ecossistemas. Como esta medida se baseia em práticas de tecnologia e manejo de terra, a biocapacidade pode mudar de ano para ano. Quanto maior for a biocapacidade de um país, melhor. Portanto, um país tem um déficit ecológico se sua pegada ecológica for maior do que sua biocapacidade.

Como chegamos aqui

Dos países com os maiores déficits ecológicos, os Estados Unidos possuem uma das maiores biocapacidades. Isso significa que mesmo que o país tenha muitos recursos, seu consumo ainda é altamente insustentável.

Cima: gráfico mostrando a biocapacidade (em azul) e a pegada ecológica (em laranja) dos EUA, Canadá, China e do mundo todo.
Baixo: países com maiores déficits ecológicos per capita em 2013. Trinidad e Tobago é o campeão; a pegada ecológica estadunidense esteve em queda entre 2005 e 2013. Créditos de imagem: The Washington Post.
Países com maiores reservas ecológicas em 2013. Crédito de imagem: The Washington Post.

Maior parte dos países com grandes reservas ecológicas possuem biocapacidades que estão a diminuir a uma taxa acentuada. Em outras palavras, eles podem encontrar déficits ecológicos em breve se a tendência continuar. Em alguns países, isso pode ser atribuído a uma combinação de rápido crescimento populacional e desmatamento.

Quais países estão se desenvolvendo de forma sustentável?

O desenvolvimento econômico geralmente faz com que os países usem mais recursos e aumentem as emissões de carbono. De 2000 a 2013, a maioria dos países aumentou o PIB e as pegadas ecológicas ao mesmo tempo.

No entanto, existem 48 países que conseguiram desenvolver-se de forma sustentável: aumentaram o PIB ao mesmo tempo que diminuíram suas pegadas ecológicas, embora a maioria desses países tenha tido um pequeno crescimento econômico.

Os pontos em azul representam países que tiveram um decrescimento na sua pegada ecológica; os em laranja aumentaram a pegada ecológica. Crédito de imagem: The Washington Post.

Para os países em desenvolvimento, um aumento da pegada ecológica pode ser necessário para reforçar suas economias. As pegadas per capita nesses países podem não ser altas para começar, então pequenas mudanças podem causar um salto comparativamente grande. A tecnologia sustentável também não pode ser tão amplamente disponível nos países em desenvolvimento.

Para os países desenvolvidos, o contrário pode ser verdade: sua taxa de crescimento está diminuindo e a maioria já tem grandes pegadas. Embora hajam muitas soluções, a maneira mais rápida para um país reduzir sua pegada ecológica, de acordo com a Global Footprint Network, é mudar para fontes de energia mais ecológicas.

Embora os Estados Unidos tenham diminuído sua pegada ecológica, sua taxa de consumo ainda está longe de ser completamente sustentável.

Traduzido e adaptado de Science Alert.

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