Novo implante de retina pode restaurar a visão de milhares de pessoas

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Originalmente por Peter Dockrill | Science Alert.
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio.

Cientistas recentemente desenvolveram um implante de retina capaz de recuperar a visão em ratos. Agora, ainda neste ano, a tendência é que sejam realizados testes em seres humanos. O implante funciona convertendo a luz em sinais elétricos que estimulam os neurônios presentes na retina, dando novas esperanças para aqueles que enfrentam doenças que comprometem a visão. Muitas vezes, doenças que atingem a retina podem levar até mesmo à completa cegueira.

A visão é um dos sentidos mais importantes do ser humano, e a retina é parte essencial para que o processo funcione adequadamente. Localizada na parte traseira do olho, ela possui milhões de fotoreceptores. Mesmo assim, uma simples mutação em um dos 240 genes já identificados pela ciência podem levar a degeneração da retina. Nestes casos, as células fotoreceptores morrem. Entretanto, os nervos da retina continuam intactos e funcionais. Justamente por isso uma série de pesquisas focaram no tratamento destas condições com uma espécie de olho biônico, que estimula os neurônios com luzes. Outros cientistas, por outro lado, preferem a edição do gene CRISPR, buscando reparar as mutações que causaram a cegueira.

Mais recentemente, uma equipe liderada pelo Instituto Italiano de Tecnologia desenvolveu uma nova técnica para lidar com esses casos, utiliza uma espécie de prótese implantada no olho do paciente. Esse equipamento atua como um substituto para a retina danificada. O implante funciona absorvendo fótons no momento em que a luz entra pela lente do olho, posteriormente estimulando os neurônios da retina. A técnica foi testada, até o momento, apenas em roedores.

Meli1670/Pixabay

Durante os testes, os ratos tratados com a nova técnica foram expostos a diferentes intensidades de luz, para avaliar a efetividade da prótese. Quando expostos à intensidade de 1 lux (um pouco mais brilhante que a luz da Lua Cheia), os ratos que passaram pelo procedimento não mostraram respostas muito diferentes daqueles que não haviam sido tratados. Entretanto, os ratos com as próteses começaram a mostrar uma melhora nos sintomas a partir de 4-5 lux (mais ou menos a intensidade de um céu crepuscular.

Cerca de 10 meses depois dos testes, o implante ainda surtia efeito nos ratos, ainda que eles apresentassem problemas de visão relacionados à idade. Testes de monitoramento realizados nos roedores também mostraram um aumento na atividade do córtex visual primário – área do cérebro responsável pelo processamento da informação visual.

Como a maioria dos testes realizados em roedores, não há certeza de que este poderá ser repetido com sucesso em seres humanos. Entretanto, os cientistas por trás da nova técnica se mostraram esperançosos.

“Nós esperamos replicar em humanos os excelentes resultados obtidos em testes envolvendo animais”, disse a oftalmologista Grazia Pertile. De acordo com ela, a tendência é de que os primeiros testes em seres humanos ocorram na segunda metade de 2017, com os resultados podendo ser colhidos durante o próximo ano.

Os resultados da pesquisa são detalhados em Nature Materials.

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