Novo método pode ajudar na busca por vida em outros planetas

361

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, inscreva-se agora.

Originalmente por Calla Cofield | Space.com
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio.

Uma nova técnica proposta recentemente pode possibilitar a busca por vida alienígena em planetas distantes muito antes do que era esperado pelos cientistas. Mais cedo neste ano, cientistas descobriram um planeta orbitando a estrela mais próxima do nosso sol. Alguém que se saiba relativamente pouco sobre o planeta recém descoberto, que foi chamado de Proxima b, evidências sugerem que ele poderia suportar vida.

Evidentemente, os cientistas têm interesse em investigar o planeta para tentar encontrar vida. Entretanto, para poder analisar melhorar a atmosfera do planeta, onde os sinais de vida podem residir, exigem telescópios de próxima geração, que não são esperados pelo menos até os anos 2030. Entretanto, nem tudo está perdido até lá. Dois grupos de astrônomos estão investigando um método para realizar estudos atmosféricos em Proxima b – e claro, outros planetas semelhantes – utilizando telescópios baseados em terra, que devem chegar em 2020 – ou seja, 10 anos antes.

Dificuldade em estudar novos planetas

A ciência trabalha incessantemente no sentido de descobrir novos planetas no Universo, bem como analisar a possibilidade de vida nessas localidades. Entretanto, investigar os planetas é um bom pouco mais difícil que encontrá-los. Saber o diâmetro e a massa de um planeta, bem como a sua composição é extremamente complicado. Mas no mês passado, em um workshop realizado pela Academia Nacional de Ciências dos EUA, que explorou a busca por vida além da Terra, Matteo Brogi, da Universidade do Colorado, descreveu um novo método para estudar a atmosfera de Proxima b utilizando telescópios de última geração, que podem ficar no solo. A técnica pode ser utilizada também para plantes que, assim como Proxima b, são rochosos, e orbitam na zona habitável de estrelas relativamente frias, conhecidas como anãs-vermelhas.

A ideia de Brogi aborda duas técnicas já conhecidas para o estudo de estrelas e exoplanetas. A primeira é uma técnica extremamente comum na astronomia, chamada de espectrocopia de alta resolução, que, de maneira resumida, analisa em detalhes a luz emitida por um objeto. Para entender essa técnica, considere a foram como a luz do sol atravessa um prisma e produz um arco-íris; o vidro capta a luz e a espalha, relevando todas as cores presentes na luz. A espectrocopia expande ainda mais a luz, revelando ainda mais detalhes sobre as cores (comprimentos de onda) que compõem a luz emitida pela estrela, planeta, ou o que quer que esteja em discussão. As cores resultantes são chamadas de espectro.

Então, se a espectrocopia puder ser utilizada na luz que é emitida pelos exoplanetas, os cientistas serão rapazes de analisar a atmosfera planetária, e saber do que são formadas. Ainda não é claro quais componentes químicos poderia indicar a presença de vida. Entretanto, a maioria das plantas na Terra consomem dióxido de carbono e produzem oxigênio, e outras formas de vida produzem metano. Portanto, uma combinação com altos níveis de oxigênio e metano podem indicar a presença de vida. Entretanto, existem potenciais falsos positivos e falsos negativos, sem falar nas possíveis formas de vida que consomem e produzem produtos químicos diferentes dos que vivem na Terra.

Mesmo com as esperanças renovadas pela nova técnica, os cientistas precisam enfrentar uma série de problemas. Um deles é que tentar enxergar a luz de um planeta quando ele está ao lado de estrela muito brilhante, obviamente, é uma taerfa para poucos. Assim, Brogi e seus colegas propuseram uma maneira de ajudar a separar essas duas fontes de luz. Como o planeta se move ao redor da estrela, ele também se move em direção a ela, e então retorna na outra direção. Quando uma fonte de luz se move em direção a um observador, as ondas de luz ficam comprimidas; Quando a fonte se afasta do observador, as ondas de luz se estendem. Isso é conhecido como efeito Doppler. Isso é chamado de efeito Doppler, ou redshift. Isso também acontece com as ondas sonoras, e é por isso que quando uma sirene da polícia está se movendo em direção a você, parece que o som está ficando mais forte. As ondas se juntam para que elas tenham uma frequência maior. Quando o carro passa e começa a se afastar, parece que a sirene fica mais baixa, já que as ondas se estendem e a frequência cai.

A ideia dos cientistas é que, a partir da grande quantidade de luz proveniente de uma estrela distante, os pesquisadores poderiam escolher uma área para procurar pelo Doppler. Isso também poderia ser utilizado para separar qualquer interferência da própria atmosfera da Terra.

Entretanto, o efeito Doppler pode não ser poderoso o suficiente para trabalhar sozinho, e é justamente aí que entra a segunda técnica. Os astrônomos podem precisar ter uma imagem direta da estrela ou planeta antes de começar a fazer qualquer coisa.

A técnica de descoberta de planetas chamada de “imageamento direto” consiste na tentativa de obter uma imagem instantânea direta de uma planeta e da estrela que orbita. Para fazer isso, os cientistas tentam reduzir o brilho ofuscante da estrela, em uma medida suficiente para que seja possível enxergar a luz do próprio planeta. É um método desafiador, que não pode ser feito para qualquer sistema – o planeta tem que ser suficientemente brilhante em relação à sua estrela, o que significa que a maioria dos planetas vistos com imagens diretas até agora são gigantes de gás como Júpiter, e com certas características que fazem com que ele possa ser visto claramente da Terra.

Desta forma, Brogi e seus colegas propuseram o método do imageamento direto do sistema planetário, para localizar o planeta e depois separar ainda mais a luz emitida por ele, usando o método Doppler. A partir daí, os cientistas podem usar a espectroscopia de alta resolução para entender melhor como funciona a atmosfera do planeta.

Telescópios atualmente em operação não têm a sensibilidade para fazer Deste plano uma realidade, mas alguns telescópios de grande porte que estão em desenvolvimento poderiam fazer esse trabalho. Entre esses telescópios está o Magellan, programado para começar a funcionar em torno de 2012, além do European Extremely Large Telescope, que podem começar a registrar dados a partir de 2024.

A técnica levanta algumas dúvidas e até mesmo certo ceticismo por alguns cientistas, que acreditam que poderiam ocorrer erros durante o processo que comprometeriam toda a credibilidade dos resultados. Entretanto, apesar de admitir que algumas advertências podem ser levantadas, Brogi diz que sua equipe está trabalhando em cima delas e estudando os limites fundamentais da técnica. “Os nossos resultados iniciais são muito promissores e emocionantes”, garante o cientista.

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, inscreva-se agora.

Comentários
Carregando...