Novo vírus descoberto em aves migratórias no RS

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Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) descobriram um novo vírus em uma espécie de pássaro migratório. Esta é uma descoberta tão rara que pode ser considerada um golpe de sorte, especialmente porque o vírus em questão é o paramixovírus aviário 15, que pertence à mesma família que o paramixovírus aviário, o patógeno que causa a doença de Newcastle. Esta doença não é um risco para a saúde para os seres humanos, mas pode ser letal para aves selvagens e aves domésticas.

“Fazemos monitoramento ativo de vírus em aves migratórias. Eu buscava encontrar o vírus da doença de Newcastle, um paramixovírus aviário 1, e meu colega Jansen de Araújo procurava detectar o vírus da influenza aviária para o seu projeto de pesquisa. Por fim, encontramos uma coinfecção: dois vírus, sendo que um deles era completamente desconhecido até então”, disse Luciano Matsumiya Thomazelli, pesquisador do Laboratório de Virologia Clínica e Molecular ICB-USP.

Desde 2005, a equipe está em campo para realizar vigilância epidemiológica em diferentes partes do Brasil como parte da Rede de Diversidade Genética Viral (VGDN) financiada pela FAPESP e liderada pelo professor Edison Luiz Durigon.

Seu objetivo é detectar a presença de vírus da gripe aviária e vírus da doença de Newcastle, entre outros, em aves e outros animais selvagens. Além de monitorar, eles visam avaliar o risco de novas cepas chegarem ao Brasil. As amostras coletadas pela equipe são armazenadas em congeladores a -80 °C e utilizadas em pesquisas científicas.

O novo vírus foi encontrado em uma amostra tirada de um maçarico (Calidris fuscicollis) capturado em abril de 2012 no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no Rio Grande do Sul. Mais pesquisas são necessárias para determinar o quão perigoso é o vírus, mas a evidência atual sugere que não é um risco para os seres humanos. “Geneticamente falando, está mais próximo dos vírus descritos pela primeira vez na América do Sul, o que nos leva a acreditar que pode ter se originado nesta parte do mundo”, disse Thomazelli. “Enviamos a amostra aos colaboradores do St. Jude Children Research Hospital, em Memphis, Tennessee, que sequenciaram o genoma completo da amostra. Para nossa surpresa, a amostra continha uma coinfecção pelo vírus da gripe aviária e algo inteiramente novo. Nos concentramos na gripe e encontramos esse outro vírus”.

A descoberta de novos vírus ainda é uma raridade, mas está se tornando mais comum devido ao sequenciamento de nova geração.

“O vírus que descobrimos é o 15º tipo de paramixovírus aviário. Dois anos atrás, havia apenas dez tipos. O conhecimento nesta área aumentou significativamente como resultado”, disse Thomazelli.

Traduzido e adaptado de Phys.

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